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PF suspeita de ligação do crime organizado com falsificação de bebidas em São Paulo

por Da Redação
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Ministros Lewandowski e Padilha afirmam que há a suspeita de que bebidas falsificadas podem ter sido enviadas a outros estados. Três pessoas morreram intoxicadas em SP. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública, anunciou nesta terça (30) a entrada da Polícia Federal na investigação da falsificação de bebidas alcoólicas por metanol que intoxicou dez pessoas e levou três à morte no estado de São Paulo nas últimas semanas. A suspeita é de que o crime organizado esteja por trás do ato e possa ter enviado produtos para outras cidades do país.

Lewandowski chamou a quantidade de “número elevado e inusitado” que foge do padrão comum verificado até então, que era de ingestão do metanol por pessoas em situação de vulnerabilidade. Para ele, está é uma “ocorrência grave” que atinge diretamente a saúde pública.

“Na segunda-feira, determinamos ao dr. Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, que abrisse um inquérito policial para verificar a procedência dessa droga e a rede possível de distribuição que, ao tudo indica, transcende o limite de um estado [São Paulo]”, afirmou o ministro em uma entrevista coletiva pela manhã.

Além da entrada da Polícia Federal na investigação por conta da possibilidade de que bebidas falsificadas tenham sido enviadas a outros estados, o Ministério da Saúde publicará ainda nesta terça (30) uma nota técnica específica para a identificação de casos de intoxicação por metanol e outra para cuidados que estabelecimentos devem ter no manejo de bebidas.

O metanol é produto químico é altamente tóxico e, mais recentemente, se descobriu que foi utilizado para adulterar combustíveis pelo PCC, em uma operação que apontou uma grande rede de postos e uma distribuidora para lavar dinheiro do crime organizado.

“O país costuma ter 20 casos por ano de intoxicação por metanol. A partir de setembro, foi quase metade das notificações que costumam ter no ano e concentrado apenas em São Paulo, o que chama atenção”, disse o ministro Alexandre Padilha.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, emendou as explicações do governo federal e afirmou que “a investigação dirá se há conexão com o crime organizado”. A operação da autoridade descobriu que o PCC importava metanol pelo porto de Paranaguá (PR) para adulterar combustíveis.

Rodrigues pontuou também que essa nova investigação se somará à que levou à Operação Carbono Oculto, em agosto, e que será desdobrada em apurações administrativas complementares com as forças policiais de São Paulo. Ainda não há uma quantidade de pessoas e estabelecimentos que já estão sendo investigados por comercializarem as bebidas adulteradas.

“Estamos tentando identificar, a partir desse compartilhamento e recebimento de informações toda essa cadeia, se houve contaminação – como parece que ocorreu – se houve desvio do metanol ou se houve realmente uma importação”, pontuou o delegado Dennis Cali, diretor de investigação e combate ao crime organizado e à corrupção da Polícia Federal.

O metanol é um álcool simples, incolor e altamente tóxico, usado em solventes, combustíveis, tintas e plásticos. No organismo, se transforma em substâncias que atacam fígado, rins, cérebro e nervo óptico. Pequenas doses já são suficientes para provocar náusea, vômito, cólicas, confusão mental, convulsões, cegueira e até a morte.

Os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma embriaguez comum, o que pode retardar o diagnóstico.

O tratamento é uma emergência médica e pode incluir medicamentos e até a necessidade de diálise. Especialistas alertam que a rapidez no atendimento é determinante para a sobrevivência e para evitar sequelas graves.

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