Índice
A última sessão de oitivas da CPI do Desmonte do Dmae, ocorrida na manhã desta segunda-feira (6), foi marcada por fortes denúncias de corrupção e um clima de tensão entre os vereadores da base governista. O destaque foi o novo depoimento do vereador Gilvani “Gringo” (Republicanos), reconvocado após admitir pagamentos de propina em nome da empresa Safety Ambiental, da qual é sócio.
O parlamentar afirmou que participa da CPI “como denunciante e testemunha”, e não como investigado, e voltou a apontar um esquema de propina de R$ 21 milhões em contratos de manutenção das casas de bomba da capital. Segundo ele, o caso faz parte de um plano de desmonte do Dmae para justificar sua concessão à iniciativa privada.
“Os empresários são extorquidos pela gestão do Dmae. A privatização do Dmae e a aceleração da minha cassação são casos de Polícia Federal”, declarou o vereador.
Entre as denúncias, Gringo apresentou documentos sobre o contrato de R$ 21 milhões com a empresa SWL, firmado em 2024, para limpeza de galerias e tubulações. Ele afirmou que o serviço foi executado de forma parcial e irregular, com até 80% do trabalho não realizado, e que a empresa não possuía licença ambiental (MTR) para o transporte de resíduos. Segundo o vereador, os materiais coletados eram descartados ilegalmente nas proximidades do próprio Dmae.
A presidente da CPI, vereadora Natasha Ferreira (PT), considerou as denúncias “gravíssimas” e apontou que os esquemas de corrupção são parte de uma estratégia para justificar a privatização da autarquia.
“Há um esquema montado para sangrar os recursos e enfraquecer o Dmae, abrindo caminho para a Aegea, que já manifesta interesse em comprar o órgão. Nós queremos ouvir todos os empresários citados, porque isso está esquematizado”, alertou.
Troca de acusações expõe crise na base do governo
Durante a sessão, o relator da CPI, Rafael Fleck (MDB), exibiu um vídeo de um depoimento de Gringo ao Ministério Público, em 2016, no qual o vereador detalhava um esquema de corrupção envolvendo o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), a Corsan e a Prefeitura de Canoas. O parlamentar admitiu ter pago R$ 60 mil em espécie ao então secretário de Obras de Canoas, Juliano Furquim, alegando ter sido coagido.
Gringo reagiu afirmando que a gravação fazia parte de um processo sigiloso e que ele não se beneficiou do esquema. Em meio à troca de acusações, o vereador também acusou o colega Ramiro Rosário (Novo) de indicar um fiscal para as casas de bomba que, posteriormente, teria se tornado sócio da empresa responsável pela manutenção dos equipamentos.
Para Natasha Ferreira, as declarações de Gringo escancaram uma divisão na base do governo Melo. “Depois de um vereador da própria base fazer denúncias tão graves, é impossível tratar esse assunto como algo normal. A concessão do Dmae não será um tema pacífico dentro da Câmara”, afirmou.
CPI entra na reta final e nega novos depoimentos
A base governista rejeitou requerimentos da oposição que pediam a convocação de nomes centrais no escândalo, como Alexandre Garcia, Agostinho Meirelles e Daniela Dalloglio, filha de Gringo.
Natasha Ferreira criticou a decisão e afirmou que a base tenta blindar os “peixes grandes” do esquema.
“Alexandre Garcia recebeu mais de R$ 500 mil em propina e não compareceu. Agostinho Meirelles foi apontado como chefe do esquema e simplesmente enviou um ofício dizendo que estava no Uruguai. A base quer encerrar a CPI antes que se chegue aos verdadeiros beneficiados”, afirmou.
Com os requerimentos rejeitados, a CPI segue agora para a fase de elaboração do relatório final, que deve ser apresentado em 13 de outubro e votado até o dia 16.
Denúncia do Simers e da Comissão de Ética
Na mesma reunião, a CPI também recebeu a representação do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) e da Comissão de Ética da Câmara Municipal, que pedem investigação sobre ameaças e assédio moral contra servidores e profissionais que denunciaram irregularidades no Dmae e na Secretaria Municipal de Saúde.
As entidades solicitaram que os casos sejam encaminhados ao Ministério Público Estadual e à Procuradoria-Geral do Município, reforçando que a apuração deve proteger os denunciantes e garantir transparência nos processos de responsabilização.
O post Vereador Gilvani ‘Gringo’ denuncia propina de R$ 21 milhões e diz que privatização é ‘caso de Polícia Federal’ apareceu primeiro em Brasil de Fato.
