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A visita do primeiro-ministro chinês Li Qiang a Pyongyang na semana passada, primeira de um alto funcionário chinês à República Popular Democrática da Coreia desde a pandemia, marca uma nova fase na aliança entre os dois países e evidencia a estratégia de Pequim de fortalecer parcerias regionais em contexto de crescente tensão com potências ocidentais.
Entre 9 e 11 de outubro, Li participou das celebrações pelos 80 anos do Partido dos Trabalhadores da Coreia (PTC), coincidindo com o 75º aniversário da participação chinesa na Guerra da Coreia. O gesto diplomático – que incluiu deposição de flores no monumento aos mais de 180 mil soldados chineses mortos no conflito – reafirma vínculos que vão além da retórica e se fundamentam em décadas de cooperação estratégica.
Aliança forjada no conflito
A relação sino-coreana remonta à Guerra da Coreia (1950-1953), quando o governo chinês enviou o Exército de Voluntários do Povo para apoiar o Norte contra forças estadunidenses e sul-coreanas. O conflito, que resultou em aproximadamente 3 milhões de civis coreanos mortos segundo dados da ONU, consolidou Pequim como um dos principais parceiros de Pyongyang.
Desde então, a China mantém papel central no apoio à economia norte-coreana, fornecendo desde a reconstrução pós-guerra até investimentos contemporâneos em infraestrutura e tecnologia. Essa cooperação abrange segurança, comércio e projetos de modernização de setores-chave da economia da República Popular Democrática da Coreia.
Mensagens de continuidade
O presidente chinês Xi Jinping enviou mensagem ao líder norte-coreano Kim Jong-un afirmando que “a amizade entre os dois partidos e países continuará firme, não importa como mude a situação internacional”, segundo publicação da KCNA reproduzida pela Xinhua. A formulação ressalta a dimensão estratégica da parceria em momento de reconfiguração geopolítica regional.
Em declaração à imprensa chinesa, Li Qiang definiu China e Coreia como “vizinhos próximos, camaradas e companheiros de destino”, acrescentando que “as transformações do cenário internacional tornam ainda mais necessário o fortalecimento da unidade entre os países socialistas da Ásia”.
Contexto regional
A visita ocorre em cenário de crescente militarização da península coreana, com presença de bases estadunidenses na Coreia do Sul e no Japão. O comunicado oficial de Pequim enfatizou que o governo chinês “defende a estabilidade da região e o diálogo entre todas as partes” e “rejeita qualquer forma de pressão ou sanções unilaterais”.
A cooperação sino-coreana atual inclui projetos conjuntos de infraestrutura e suporte técnico-financeiro chinês para modernização econômica norte-coreana, configurando parceria que transcende apoio político e se materializa em investimentos concretos.
Memória antifascista e resistência compartilhada
Durante a cerimônia em Pyongyang, Kim Jong-un destacou que “a luta comum travada por coreanos e chineses contra o fascismo mundial permanece como exemplo da solidariedade que hoje continua guiando as relações entre nossos povos”, conectando a memória da resistência ao Japão imperial e à intervenção estadunidense na península com o alinhamento estratégico contemporâneo.
O Partido dos Trabalhadores da Coreia, fundado em 1949 e baseado na ideologia Juche formulada por Kim Il-sung, conduziu reformas agrárias, planos industriais e campanhas de alfabetização que transformaram a estrutura social norte-coreana no pós-guerra.
*com informações da Xinhua e KCNA (Korean Central News Agency)
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