O governador Mauro Mendes (União) é o engenheiro-chefe da tentativa de transformar a eleição de 2026 no negócio de um vencedor sem disputa. Ao articular a aliança entre a direita com a extrema direita bolsonarista, Mendes quer blindar a candidatura ao governo do vice-governador Otaviano Pivetta, para concorrer sem adversários. Põe em evidência uma realidade: só se blinda o que é frágil. Esta aliança com a extrema direita bolsonarista, abrigada no PL, joga na lata do lixo duas lideranças políticas do campo conservador: os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União). A conferir a reação de ambos diante deste processo de destruição comandado por Mauro a favor de Otaviano.
De quebra, a movimentação da máquina do governo busca isolar a candidatura ao Senado da deputada estadual Janaína Riva (MDB). Ela é um nome forte que tira o sono de Mauro Mendes e do deputado federal José Medeiros (PL), ambos candidatos ao Senado nesta chapa que une direita e extrema direita. Sem um candidato ao governo, obrigada a sair numa candidatura solo, sem grupo, sem braços, em óbvio a deputada Janaína Riva fica fragilizada eleitoralmente.
O jogo de Mauro Mendes, engenheiro-chefe da obra de destruição de adversários dentro do campo conservador, tem duplo objetivo:
1) Blindar a candidatura de Otaviano ao governo, numa disputa sem adversários à direita, reconhecendo que o vice-governador tem um perfil insosso, autoritário, sem apelo popular e problemático, principalmente em relação às mulheres.
2) Pavimentar uma estrada segura de Mauro Mendes como candidato ao Senado, enfraquecendo a candidatura da sua rival forte, Janaína Riva.
Só se blinda o que é frágil
A obra política de Mendes está muito mais adiantada do que a obra do BRT em Cuiabá, mas falta combinar com o eleitorado. Só se blinda o que é frágil. Blindar a candidatura de Otaviano Pivetta, buscando uma eleição por WO, como comentou o jornalista Antero Paes de Barros, expõe a própria fragilidade do candidato.
A aliança da direita com a extrema direita representa, aparentemente, força eleitoral, mas expõe uma fragilidade política. Mato Grosso já viu casos anteriores de alianças que pareceram ser uma montanha inexpugnável para os adversários e, ao fim e ao cabo, na hora da eleição, parir um rato, pronto para ser derrotado.
