A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) foi selecionada em um edital nacional para desenvolver um estudo sobre sustentabilidade em assentamentos rurais que se estendem pelos três biomas do estado, Amazônia, Cerrado e Pantanal. O projeto é um dos seis escolhidos entre 221 propostas submetidas ao edital “Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia”, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), com apoio do Bezos Earth Fund.
Com investimento de R$ 1,44 milhão, a pesquisa vai avaliar a viabilidade social e econômica da agricultura familiar de baixo carbono, buscando alternativas que conciliem geração de renda e conservação ambiental. A iniciativa faz parte do eixo de desenvolvimento rural sustentável e integra um conjunto de estudos que receberão, ao todo, R$ 10 milhões para execução em instituições da Amazônia Legal.
Coordenado pelo professor Rodrigo Zanin, o projeto terá duração de 24 meses e pretende demonstrar modelos produtivos que mantenham a floresta em pé e, ao mesmo tempo, garantam meios de vida sustentáveis para agricultores assentados. O grupo vai analisar a gestão dos fluxos de carbono, o uso e ocupação do solo, a dinâmica produtiva e a geração de emprego e renda nesses territórios.
Um dos focos do estudo será investigar a participação de pequenos produtores em mercados de crédito de carbono e a viabilidade de pagamentos por serviços ambientais (PSA), mecanismos que podem transformar práticas de conservação em fonte de renda. Segundo Zanin, a proposta busca “mostrar alternativas para que os assentamentos sejam economicamente viáveis, respeitando suas realidades locais e garantindo a floresta em pé”.
Além da Unemat, o projeto contará com pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais, compondo uma rede científica voltada à formação de jovens pesquisadores, à produção de artigos e relatórios técnicos e à formulação de recomendações para políticas públicas de economia sustentável.
De acordo com a diretora executiva do iCS, Maria Netto, as propostas selecionadas “têm um potencial enorme de produzir dados e informações baseadas em evidências para subsidiar a tomada de decisões e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável da Amazônia”.
Os seis projetos escolhidos abrangem temas de bioeconomia, segurança pública e desenvolvimento rural sustentável. Todos deverão iniciar as atividades em 2026, no âmbito da Rede de Pesquisa para uma Economia Sustentável da Amazônia (Resa), iniciativa criada pelo iCS e financiada pelo Bezos Earth Fund para fortalecer a comunidade científica amazônica e fomentar pesquisas aplicadas à transição para uma economia verde.
