Casa PoliticaBolsonaro: ignorância inteligente para explorar a fé alheia e cuidar de si

Bolsonaro: ignorância inteligente para explorar a fé alheia e cuidar de si

por Marcy Redacao
0 comentários
bolsonaro:-ignorancia-inteligente-para-explorar-a-fe-alheia-e-cuidar-de-si

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro vai passar para a história como o líder da extrema direita brasileira que inventou um jeito próprio de fazer política. Ele inventou a “ignorância inteligente” para explorar a fé dos brasileiros mais vulneráveis às ideias vazias de um extremismo que estimula o ódio ao outro e o extermínio dos adversários, pela tortura e pela ditadura. Mas é em termos econômicos e sociais que o bolsonarismo apresenta o uso mais potente da ignorância inteligente:  prega a manutenção dos privilégios dos ricos fazendo crer que estão cuidando dos mais pobres. Um crime ideológico diabolicamente genial. É fato, muita gente pobre no Brasil defende os ricos, seguindo os mandamentos do bolsonarismo.

Bolsonaro usa a sua natural ignorância de forma inteligente, fazendo parecer que é um sujeito simples, igual às pessoas comuns, em especial se fazendo parecer com as pessoas com mais dificuldade de apreender e refletir sobre a realidade. A forma tosca confere o tom popular, cotidiano. Todo o rol de ignorâncias acaba sendo validado: debochar, mentir e blasfemar. Na verdade, a ignorância inteligente foi a forma criada por Bolsonaro porque o papel lhe cai muito bem. Ele realmente é um sujeito ignorante, também no sentido da falta de caráter e de não ter a mínima empatia pelos outros. Desempenha um papel criativo de alguém que parece cuidar dos interesses da população, mas que só cuida de si. Bolsonaro sempre foi, junto com os filhos, um egoísta militante, nada mais do que isso. Gente para eles é apenas massa de manobra para seus interesses pessoais. 

Agora seus filhos fazem uma pregação sobre o estado de saúde do pai para tentar tirá-lo da prisão. Como a anistia foi um projeto pensado apenas em colocar Bolsonaro novamente no jogo eleitoral, a conversa sobre o histórico das suas doenças é apenas para conferir privilégios pessoais à sua condição de condenado pela Justiça pelo crime de tentativa de golpe de estado. Não dá para esquecer a frase abjeta de Jair Bolsonaro sobre a prisão de Lula: “vai apodrecer na cadeia”. Essa é a ideia da extrema direita, a cadeia é o lugar para o sujeito apodrecer. 

Jair, Flávio, Eduardo e Carlos querem que os presidiários brasileiros se explodam. O estado de saúde deles não comove os Bolsonaros. A única saúde a ser preservada é a de Jair Bolsonaro. Vale a pena recuperar o relato de um especialista no sistema prisional do Brasil para mostrar quantos brasileiros não têm o mesmo privilégio de contar com uma defesa mediática e política para defendê-los de um sistema falido, que ameaça os presos doentes e adoece os presos que entram sadios. O relato foi retirado do Jornal da USP no Ar:

O professor David Teixeira de Azevedo, advogado criminalista e professor da Faculdade de Direito da USP, explica que os problemas apresentados nas prisões brasileiras não são atuais. Alguns deles são crônicos e podem ser representados pela falta de vagas, pela ausência de auxílio ao preso após o cumprimento de sua pena e pela questão relativa à própria dignidade humana.

Hoje, existem alguns aparatos legais que garantem diferentes direitos aos presos, mas que não funcionam na prática. “Nós temos uma lei de execução penal, a lei 7.210/1984, que é muito boa, mas que fica como uma espécie de utopia jurídico-punitiva, já que os seus dispositivos não são atendidos em larga parte”, explica Azevedo. 

O professor reforça ainda que a assistência à saúde nas prisões brasileiras é extremamente precária, assim, o oferecimento de um cuidado preventivo, curativo, farmacêutico e odontológico dificilmente acontece com plenitude. Dessa forma, é notório que não podemos continuar apresentando a terceira maior população carcerária do mundo se os direitos básicos não estão sendo garantidos para essas pessoas. 

Para melhorar o cenário atual, o professor analisa que é necessário reduzir o número de prisões. “Não é possível que 41% dos presos sejam presos provisórios. Não é possível que, em 20 anos, de 1990 a 2010 esse tipo de prisão tenha subido 1.253%. Isso é claramente violação do princípio da presunção de inocência, porque o Poder Judiciário está apreendendo desde que haja prova de um fato e da autoria desse fato, sem que haja nenhum requisito processual de cautelaridade”, adiciona o especialista. 

Por fim, o professor explica que é necessário passar a olhar com generosidade para o indivíduo que está sendo processado. “Isso é muito difícil, olhar para esse homem e ver alguém que, antes de ser encarcerado prematuramente, é um cidadão revestido de direitos e de garantias constitucionais. É uma pessoa tomada de dignidade pessoal, cujo alcance só pode ser feito mediante o devido processo legal.”

você pode gostar

SAIBA QUEM SOMOS

Somos um portal de notícias comprometido com a imparcialidade e a verdade. Nosso foco é levar informação clara e responsável sobre os principais acontecimentos do Mato Grosso e do Brasil, mantendo você sempre atualizado com a realidade dos fatos.

REDAÇÃO

noticias recentes

as mais lidas

Voz Popular © Todos direitos reservados