O senador Wellington Fagundes (PL), ao que parece, voltou a ser Wellington Fagundes, um político de soluções práticas, e com visão de governo que não cede às ideias rasas do extremismo. Em entrevista ao jornalista Jonas da Silva, Wellington detonou as loucuras da primeira-dama, Virgínia Mendes, e a omissão do governador Mauro Mendes (União). Fagundes colocou o dedo na ferida: prisão perpétua e presídio para “apodrecer bandido” não são solução para reverter a escalada da criminalidade em Mato Grosso.
Por partes, primeiro o caso da primeira-dama. Dona Virgínia Mendes, em pré-campanha a um cargo proporcional, federal ou estadual, tem defendido publicamente a prisão perpétua como solução simplista para conter a criminalidade. “Eu ainda defendo uma prisão perpétua. Só uma lei mais severa é que amedronta”, afirmou Virgínia Mendes em diversas entrevistas. Wellington rebateu: “Segurança se faz com respeito ao policial e com informação das famílias. Não adianta ficar falando em mais leis, em implantar prisão perpétua, essas coisas loucas”, declarou.
No caso do governador Mauro Mendes, a crítica de Wellington é direta à má gestão da segurança pública. Com Mendes, a segurança pública é um fiasco: o crime organizado instalou-se em todo o estado; a matança de mulheres continua sendo uma marca vergonhosa para Mato Grosso e a situação carcerária é uma lástima. Seguindo sua máxima de responsabilidade zero, o governador já chegou a culpar as advogadas e advogados mato-grossenses como “cúmplices do crime”. A OAB de Mato Grosso reagiu à declaração do governador-repassador de responsabilidade.
O combate à criminalidade não passa por “mais leis, como prisão perpétua”, mas sim pelo fortalecimento e controle do sistema carcerário, destacou Wellington, numa crítica que acerta, politicamente, o peito de Mauro Mendes.
“Ele acrescentou que é necessário respeitar e valorizar os profissionais de segurança, além de investir em estrutura e armamentos, como parte de um conjunto de ações para conter o avanço do crime organizado nos municípios do estado. Segundo ele, a concentração de renda também é um fator que contribui para a criminalidade”, relatou o jornalista Jonas da Silva, do site Midianews.
Pré-candidato ao governo, o senador Wellington Fagundes começa a ajustar o seu discurso de candidato de oposição ao grupo de Mauro Mendes, mirando suas críticas nas fragilidades do discurso extremista da primeira-dama e na inação do governo para enfrentar o crime organizado. É fato: o governo Mauro Mendes não tem uma política pública social que estimule o crescimento de renda dos mais pobres. Como diria o senador Jayme Campos (União), Mauro Mendes faz um governo só para “os bacanas”. Uma definição de governo que bate com a crítica de Wellington sobre a concentração de renda.
