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PF deflagra 2ª fase da operação contra influência do Comando Vermelho na Alerj

por Augusto de Sousa
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Agentes da Polícia Federal. Foto: reprodução

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a segunda fase da Operação Unha e Carne, que aprofunda a investigação sobre o vazamento de informações sigilosas para integrantes do crime organizado no Rio de Janeiro.

A nova etapa da ação ocorre pouco mais de uma semana após a prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), e amplia o alcance das apurações ao atingir integrantes do Judiciário.

Nesta fase, os agentes cumprem um mandado de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços localizados no Rio de Janeiro e no Espírito Santo.

A operação investiga a obstrução de investigações policiais e o repasse de dados protegidos por sigilo judicial a alvos de ações da Polícia Federal.

O principal alvo da nova etapa é o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), preso na manhã desta terça-feira no Rio de Janeiro.

Macário é o relator do processo envolvendo o ex-deputado estadual Thiago Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, preso desde setembro por ligações com o Comando Vermelho. O caso de TH Joias deu origem a uma série de investigações que culminaram na prisão de Bacellar no início do mês.

De acordo com informações da Polícia Federal, a Operação Unha e Carne apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, que atingiu diretamente integrantes do crime organizado e agentes públicos suspeitos de colaboração.

A PF aponta que Rodrigo Bacellar teria repassado dados reservados da investigação, o que teria permitido a destruição ou ocultação de provas. Há indícios de que ele orientou o então deputado a retirar objetos de sua residência antes do cumprimento de mandados.

TH Joias e Rodrigo Bacellar. Foto: reprodução

A defesa de Bacellar nega as acusações. Em nota, os advogados afirmaram que o parlamentar não atuou para obstruir investigações nem vazou informações para facções criminosas.

Apesar disso, a primeira fase da operação resultou em sua prisão preventiva, posteriormente revogada no dia 9, após decisão da Alerj. Na votação em plenário, 42 deputados votaram pela soltura, 21 foram contrários e houve duas abstenções.

A nova fase da operação ocorre no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que trata da atuação do Estado no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro e das conexões entre facções criminosas e agentes públicos. Para os investigadores, o caso revela um esquema sofisticado de proteção institucional a criminosos, envolvendo políticos, servidores e membros do Judiciário.

A prisão de Macário Judice Neto chama atenção pelo histórico do magistrado. Em 2023, ele retornou à magistratura e foi promovido a desembargador após ter ficado afastado por 17 anos.

O afastamento ocorreu em meio a denúncias do Ministério Público Federal sobre sua atuação como juiz federal no Espírito Santo. Em 2005, o TRF-2 determinou seu afastamento em uma ação penal que apurava a suposta participação em um esquema de venda de sentenças.

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