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Arábia Saudita pune críticos de reformas do governo com multas e prisões

por Da Redação
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Liberdade de expressão restrita

Arábia Saudita pune críticos de reformas do governo com multas e prisões

  • Por Bruna Komarchesqui

  • 29/12/2025 às 11:17

Cartaz do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman (Foto: EFE/EPA/SOHAIL SHAHZAD)

A Arábia Saudita vem promovendo uma onda de prisões e multas direcionadas a críticos do aumento do custo de vida e das recentes mudanças na rede de proteção social do país. Segundo a Autoridade Geral de Regulação de Mídia, somente em dezembro nove pessoas foram multadas e receberam a ordem de encerrar suas contas nas redes sociais por publicarem “conteúdo violador”. O relatório afirma que outros seis já haviam sido presos em novembro por “publicar sistematicamente informações para provocar a opinião pública”.

Segundo o regulador, esses cidadãos serão processados com base na lei anticrimes cibernéticos da Arábia Saudita, que prevê punições de até cinco anos de prisão e multas que podem chegar a 800 mil dólares.  

A Sanad, uma organização saudita de direitos humanos com sede no Reino Unido, afirma que as intervenções do governo são uma “escalada de repressão digital”, decorrente das crescentes críticas online a reformas recentes nos benefícios da seguridade social. As multas e prisões são “parte de um padrão crescente de práticas repressivas que visam vozes críticas, usando agências reguladoras como ferramentas para impor censura e punir indivíduos por expressarem suas opiniões”, informou a organização ao jornal britânico Financial Times.

Recentemente, o Ministério de Recursos Humanos e Desenvolvimento Social do país endureceu critérios de elegibilidade para benefícios, o que resultou em pessoas perdendo acesso à assistência social.

Embora a autoridade governamental não tenha nomeado os detidos, o grupo saudita de direitos humanos Alqst, sediado em Londres, identificou alguns deles, incluindo o cantor conservador Falah al-Masrede. Em um vídeo postado em sua rede social em outubro, ele afirmou que sua irmã, que é amputada, teve os pagamentos da seguridade social negados. “Muitas coisas estão acontecendo aqui no país e temos o direito, como cidadãos, de reclamar do que nos incomoda”, disse.

Em outubro, quando o magnata saudita Yazeed al-Rajhi, primo do ministro de recursos humanos Ahmed al-Rajhi e herdeiro da família que fundou o maior banco do reino, postou um vídeo dentro de um jato particular, em que atacava críticas ao governo.

“Não devemos aceitar qualquer discurso negativo sobre nossos governantes, mesmo em ambientes privados. Devemos aceitar que eles estão fazendo o melhor que podem e que erros podem acontecer”, afirmou, atraindo uma onda de reações no país.

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