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Dólar cai ao menor valor desde maio de 2024 em meio a forte fluxo estrangeiro para a bolsa

por reuters
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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 11 Fev (Reuters) – O forte fluxo ​de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira foi mais uma vez decisivo para a queda do dólar ante o real nesta quarta-feira, em movimento que esteve em sintonia com recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,20%, aos R$5,1872 — o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,50%.

Às 17h03, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — caía 0,17% na B3, aos R$5,2025.

Após abrir a sessão em baixa, o dólar à vista zerou as perdas no Brasil e chegou a ⁠ser cotado na ⁠máxima de R$5,2044 (+0,13%) às 10h33, acompanhando o ​fortalecimento da ‌moeda norte-americana no exterior, após a divulgação do relatório de empregos payroll nos EUA.

O documento mostrou que a economia norte-americana gerou 130 mil postos de trabalho em janeiro, bem acima da projeção de 70 mil vagas apontada em pesquisa da Reuters com economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,3% ⁠em janeiro, ante projeção de 4,4%.

Em reação aos números, os rendimentos dos Treasuries passaram ​a registrar altas fortes e o dólar ganhou força, em meio à leitura de que o espaço ​para cortes de juros nos EUA diminuiu.

No entanto, o forte fluxo ‌de recursos estrangeiros para ​a bolsa ⁠voltou a ditar o ritmo dos negócios no Brasil, com o dólar à vista atingindo a mínima de R$5,1697 (-0,54%) às 11h09 — em um momento em que o Ibovespa superava recordes históricos.

“Há um fluxo financeiro forte para emergentes, com ​o dólar perdendo valor globalmente. No Brasil, a bolsa está renovando recordes sequenciais, e aí não tem jeito: é muita oferta de dólar e o preço vem para baixo mesmo”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.

Ainda que a queda tenha desacelerado até o encerramento da sessão, o dólar terminou em leve baixa ​ante o real, em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso chileno e o peso colombiano.

Às 17h04, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,04%, a 96,877.

Pela manhã, durante evento do BTG Pactual em São Paulo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu que a instituição pretende começar a ‘calibragem’ da taxa de juros a partir de março, mas evitou dar sinais sobre o que será feito no restante do ano.

No ​fim de janeiro, o BC manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a intenção de ‌iniciar o ciclo de cortes em março.

O diferencial ⁠de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações ⁠do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

No fim da manhã, ⁠o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial ⁠para rolagem do vencimento de ⁠março. ​À tarde, a instituição informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$294 milhões na última semana.

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