As bolsas dos Estados Unidos vivenciaram quedas expressivas na última segunda-feira (22). O Dow Jones encerrou na mínima do dia, com queda de 1,66%, enquanto o S&P 500 também recuou, em meio a uma onda de vendas concentrada principalmente em empresas de software, meios de pagamento e plataformas digitais.
DoorDash, American Express, KKR e Blackstone recuaram mais de 8%. Uber, Mastercard, Visa, Capital One e Apollo Global Management caíram ao menos 3%. Entre as empresas de software mais pressionadas estiveram AppLovin, Asana, DocuSign e Zscaler.
O movimento aconteceu após a divulgação de um relatório da Citrini Research, consultoria que monitora o mercado de investimentos, no qual é projetado um cenário hipotético de colapso econômico desencadeado pela inteligência artificial.
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Intitulado “A Crise Global da Inteligência em 2028”, a consultoria chegou até a ressaltar que o texto não é uma previsão, mas um exercício de modelagem de risco, um cenário extremo para avaliar possíveis efeitos da disseminação acelerada da IA. No entanto, o conteúdo encontrou um mercado já sensível aos impactos da tecnologia sobre emprego, consumo e margens corporatvas.
O que diz o texto
O relatório descreve um cenário onde o avanço da IA gera um ciclo de substituição acelerada de trabalhadores de colarinho branco, comprimindo salários, reduzindo consumo e pressionando o mercado imobiliário e o crédito privado.
No cenário projetado, o desemprego nos Estados Unidos atinge 10,2%, enquanto o S&P acumula queda de 38% em relação aos picos de 2026. A dinâmica seria alimentada por um ciclo de retroalimentação: empresas demitem para ganhar eficiência, reinvestem a economia em IA, elevam ainda mais a produtividade e reduzem novamente o quadro de funcionários.
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Segundo o texto, a economia passa a produzir mais com menos trabalhadores, mas a renda deixa de circular. Os autores chamam o fenômeno de “Ghost GDP”, crescimento que aparece nas contas nacionais, mas não se traduz em demanda real.
O impacto se espalharia para além do setor de tecnologia. Plataformas de intermediação, como viagens, seguros, serviços financeiros e imobiliários, perderiam espaço à medida que agentes de IA eliminassem fricções e comparassem preços de forma automatizada. O relatório também projeta pressão sobre o mercado de cartões, com transações migrando para alternativas de menor custo, como stablecoins.
Crédito e mercado imobiliário
O texto ainda descreve um efeito dominó no crédito privado, especialmente em empresas de software financiadas com base em receitas recorrentes. A deterioração dessas receitas poderia desencadear reestruturações e perdas para gestores de ativos e seguradoras expostas ao setor.
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No mercado imobiliário, o risco estaria na renda dos profissionais de alta qualificação, grupo que concentra parcela relevante do consumo e sustenta grande parte do mercado de hipotecas nos Estados Unidos. A tese é que, se a renda estruturalmente cair, mesmo empréstimos considerados de alta qualidade poderiam sofrer deterioração ao longo do tempo.
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