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CPI avança sobre Banco Master, quebra sigilos e amplia pressão sobre STF

por Lia Garcia
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A CPI do Crime Organizado deu um passo decisivo que pode redesenhar o tabuleiro político e institucional no Brasil. O Senado aprovou uma série de medidas que aprofundam a investigação sobre o Banco Master e ampliam o alcance para além do sistema financeiro, chegando ao entorno do Supremo Tribunal Federal.

Entre os principais movimentos está a convocação do empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, e dos irmãos do ministro do STF Dias Toffoli. A comissão também autorizou a quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa ligada à família do magistrado, no período de 2022 a 2026.

Na prática, a CPI passa a operar com um volume de dados inédito, envolvendo sigilos bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos do Banco Master, além de relatórios do Coaf. O objetivo é mapear possíveis operações atípicas, estruturas de ocultação patrimonial e conexões com o crime organizado.

“Esta é uma sessão histórica do Senado. Nós estamos abrindo a possibilidade para um avanço de investigações que esse país nunca fez”, afirmou o relator, senador Alessandro Vieira.

O movimento coloca o mercado financeiro no centro da investigação, mas com desdobramentos diretos no ambiente institucional. A presença de nomes ligados ao Judiciário amplia o impacto político e aumenta a pressão por respostas.

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Quebra de sigilos avança sobre fluxos financeiros e deslocamentos da CPI

A nova fase da CPI vai além das transações financeiras tradicionais. O foco agora é o cruzamento de dados que inclui patrimônio, estrutura societária e até deslocamentos logísticos.

A comissão solicitou ao Coaf relatórios detalhados e determinou a quebra de sigilos da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag, considerada peça-chave para rastrear fluxos financeiros paralelos.

Também foram aprovadas medidas para mapear o uso de aviação executiva, incluindo pedidos à Anac para identificar passageiros que acessaram áreas restritas em aeroportos como Brasília, Congonhas e Guarulhos. A investigação inclui registros de aeronaves, histórico de propriedade e movimentações vinculadas a pessoas físicas e jurídicas sob análise.

Além disso, a CPI requisitou à concessionária Inframerica dados de acesso a hangares e áreas de aviação executiva, ampliando o escopo para possíveis conexões logísticas entre investigados.

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No campo político, a comissão também convocou nomes de peso, como o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Outros personagens relevantes foram convidados, incluindo o ministro Dias Toffoli, a advogada Viviane Barci de Moraes e o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A estratégia é clara. O Senado busca cruzar informações financeiras, institucionais e operacionais para identificar estruturas complexas de poder e dinheiro.

O avanço da CPI acontece em um momento de crescente questionamento sobre a relação entre mercado, política e Judiciário. Para investidores e empresários, o cenário reforça um ponto central: previsibilidade institucional segue sendo um dos ativos mais valiosos — e também um dos mais pressionados no Brasil hoje.

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