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A Oncoclínicas – maior rede privada de tratamento de câncer do Brasil – iniciou negociações com seus credores financeiros para prorrogar o pagamento de parcelas de principal e juros com vencimentos de curto prazo.
A companhia busca um stand still – acordo para suspensão temporária de dívidas para dar fôlego à companhia – enquanto atravessa um período de reorganização interna que incluiu a troca do comando executivo.
O movimento foi formalizado por meio da convocação de assembleias gerais de debenturistas de cinco emissões próprias – da 8ª à 12ª – e de emissões de duas controladas, a Centro Paulista de Oncologia S.A. e a Multihemo Serviços Médicos S.A.
O objetivo é obter uma renúncia prévia, chamada de waiver, para o eventual descumprimento do índice financeiro Dívida Líquida/EBITDA, apurado com base nas demonstrações do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025.
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Pressão sobre covenants
O índice em questão não poderia ultrapassar 3,5 vezes, conforme as cláusulas contratuais com os credores. A Oncoclínicas avalia que pode descumprir esse limite ao consolidar os números do ano passado, o que tornaria o waiver uma etapa necessária para evitar a aceleração das dívidas.
As assembleias envolvem ainda os titulares de certificados de recebíveis imobiliários da Opea Securitizadora, lastreados nas 8ª e 10ª emissões de debêntures da companhia, que foram convocados para reuniões especiais em paralelo.
Os covenants são as cláusulas do contrato de dívida que estabelecem limites que a empresa deve cumprir — como o índice Dívida Líquida/EBITDA de no máximo 3,5 vezes.
No detalhe: quando a empresa prevê que vai descumprir um covenant, ela pede um waiver: uma autorização formal dos credores para que aquele descumprimento específico não seja tratado como inadimplência nem acione a aceleração da dívida. O waiver é, portanto, a válvula de escape do covenant.
Troca no comando da Oncoclínicas
A negociação com credores ocorre dias depois de a Oncoclínicas anunciar a substituição de Bruno Ferrari, fundador e até então CEO da companhia, por Carlos Gil, que ocupava o cargo de Chief Medical Officer e presidia o Instituto Oncoclínicas.
A empresa também anunciou a chegada de Camille Faria como nova vice-presidente financeira. Faria foi CFO da Americanas e é apontada como peça-chave no processo de ajuste das finanças da companhia.
Agenda de reestruturação
Em comunicado ao mercado, a administração da Oncoclínicas afirmou que as iniciativas em curso vão permitir que a companhia continue executando sua agenda de alinhamento ao core business, disciplina financeira e eficiência operacional.
A empresa informou ainda que manterá acionistas e o mercado informados sobre os desdobramentos do processo, em linha com as práticas de governança corporativa.
As ações ONCO3 acumulam queda expressiva nos últimos meses, refletindo a cautela de investidores diante do perfil de crédito incerto e de relatos sobre perda de médicos e aumento da restrição por parte de fornecedores e parceiros comerciais.
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