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Recuperação extrajudicial do Pão de Açúcar é tentativa drástica de sobrevivência diante de juros elevados

por Maria Figueiredo
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O anúncio do plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas sinaliza uma tentativa drástica de sobrevivência em um cenário de juros elevados e consumo enfraquecido, disse Max Mustrangi, CEO da Excellance, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Ele destacou que a medida é o início de uma jornada complexa para estruturar os débitos no tempo e ganhar fôlego financeiro: “O processo de recuperação extrajudicial é o começo de uma etapa desafiadora, onde você tenta reequacionar dívidas para ganhar mais tempo e caixa hoje para pagar contas e estruturar o negócio, tentando gerar lucratividade para quitar o passado”, explicou.

Mustrangi ressaltou que o grupo já enfrenta dificuldades persistentes há uma década, com uma perda massiva de valor em seus ativos ao longo dos anos. “Em 2019, o balanço do Pão de Açúcar tinha quase R$ 60 bilhões em ativos e, nos últimos 12 meses, caiu para R$ 18,5 bilhões; foram R$ 40 bilhões evaporados enquanto o grupo registrava prejuízos bilionários consecutivos”, lamentou.

A análise do especialista da Excellance aponta que a empresa deve passar por uma redução ainda maior em sua estrutura física e de pessoal para tentar estancar as perdas operacionais. “Com certeza esses grupos sabem que têm pontos deficitários, mas negam o problema até que chega a hora de tomar o remédio amargo, reduzindo quadros e pontos de venda que já deveriam ter sido cortados há anos”.

Sobre o custo do capital, o CEO mencionou que o cenário macroeconômico global e a inflação “pegajosa” pressionam ainda mais o varejista, cujas despesas financeiras superam R$ 1 bilhão anuais. “Num ambiente onde se falava em redução da Selic, agora vemos um contexto geopolítico com petróleo subindo e bancos centrais mantendo ou aumentando o custo do dinheiro, o que torna a situação muito difícil”.

Ao comparar o destino do GPA com outros grandes nomes do varejo, Max Mustrangi acredita que a marca sobreviverá, mas sob nova gestão e com um perfil muito mais enxuto. “Vejo um movimento parecido com o das Lojas Americanas; o Pão de Açúcar é uma marca valiosa que provavelmente será comprada ‘na bacia das almas’ por alguém que saberá reposicioná-la como um nicho de mercado rentável”, concluiu.

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