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Cuba hoje: entre o cerco econômico e a resistência de um povo

por admsocialista
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O primeiro dia em Havana foi intenso e profundamente revelador. Caminhamos pelas ruas com o objetivo de compreender, de forma direta, o cotidiano do povo cubano — não a partir de narrativas externas, mas da realidade concreta vivida ali. Também participamos de uma reunião com o embaixador brasileiro, a delegação do Brasil e Frei Betto, ampliando o espaço de escuta e reflexão sobre o momento atual do país.

O que se observa em Cuba desmonta, na prática, a propaganda hegemônica. As dificuldades são profundas, materiais e visíveis. No entanto, não decorrem de um suposto fracasso interno, como insiste o discurso dominante, mas são resultado direto de um cerco econômico prolongado e sistemático. Trata-se de um embargo imposto pelos Estados Unidos desde a década de 1960, intensificado ao longo do tempo e agravado por fatores históricos como o isolamento após a queda da União Soviética, além do recrudescimento das tensões geopolíticas na América Latina, incluindo ataques a governos soberanos, como o de Nicolás Maduro.

Ainda assim, Cuba resiste.

O mais marcante, porém, não é apenas a resistência material, mas o nível de consciência política do povo. Mesmo diante da escassez, há clareza sobre os responsáveis por essa asfixia: o imperialismo estadunidense. É com essa compreensão que a população segue defendendo as conquistas da Revolução — conquistas que não são abstratas, mas concretas, estruturais e historicamente construídas. A educação pública e universal, do ensino básico ao superior; a saúde como direito, e não mercadoria; e os avanços na promoção da igualdade racial contrastam com o período anterior à Revolução, marcado por exclusão, segregação e profundas limitações impostas à população negra.

Cuba, portanto, não é um experimento neutro, mas uma experiência em permanente disputa.

a Revolução Cubana permanece como uma afronta viva à lógica do capital. É a prova histórica de que existem alternativas à organização social baseada na exploração. E é justamente por isso que continua sendo alvo de ataques.

Não é possível prever com exatidão os caminhos futuros do país — se manterá seu modelo, se abrirá brechas econômicas ou se enfrentará transformações mais profundas. Contudo, há um elemento incontornável: a Revolução Cubana permanece como uma afronta viva à lógica do capital. É a prova histórica de que existem alternativas à organização social baseada na exploração. E é justamente por isso que continua sendo alvo de ataques.

Ainda assim, resiste. Mais do que resistir, mantém-se como horizonte não apenas para Cuba, mas para toda a América Latina. Uma ideia que não foi derrotada, que segue viva e pulsante em cada consciência que se recusa a aceitar a exploração como destino.

Este é o primeiro de uma série de três relatos produzidos por Eliana Nunes (Semear-APEOESP), Ronaldo Motta (Semear-APEOESP) e João Batista (Semear -SINPEEM), três militantes socialistas do Semear-PSOL, sindicalistas e colaboradores do portal Esquerda Oline que estiveram em Cuba recentemente, como parte do comboio internacional Nuesta América, para levar apoio político, solidariedade militante e ajuda humanitária para a ilha.

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