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Adidos militares recebem perto de R$ 150 mil por mês

por Da Redação
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Adidos militares contam com salário e indenizações generosas. (Foto: Edvaldo Belitardo/Câmara dos Deputados)

Alguns adidos militares e outros oficiais superiores no exterior têm rendimentos próximos de R$ 150 mil. A renda bruta chega a R$ 100 mil – mais que o dobro do salário do presidente da República. Há ainda as verbas indenizatórias, que cobrem quase a totalidade das despesas no exterior. Os salários e indenizações são pagos em dólares, a reportagem fez a conversão para reais. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência do Governo Federal.

O capitão de mar e guerra Sérgio Fernandes, adido militar no Reino Unido e na Noruega, teve renda bruta média de R$ 75,6 mil entre março e agosto deste ano (período disponível no portal), totalizando R$ 454 mil. Recebeu ainda R$ 430 mil em verbas indenizatórias no mesmo período. Só em junho, recebeu uma bolada de R$ 190 mil. As indenizações tiveram média mensal de R$ 71 mil. Somando à média mensal da renda bruta, a despesa mensal para a União foi de R$ 147 mil.

Luciano da Silva Maciel, também capitão de mar e guerra, foi nomeado adido militar no Japão em abril do ano passado. Neste ano, teve renda bruta de R$ 100 mil em março. Sua média mensal entre março e agosto foi de R$ 67 mil, alcançando R$ 402 mil em seis meses. Contou ainda com indenizações generosas, que chegaram a R$ 382 mil no mesmo período – média mensal de R$ 64 mil. Somando renda bruta e indenizações, o total mensal chega a R$ 131 mil.

André França de Carvalho, capitão de mar e guerra, teve renda bruta de R$ 99 mil em março e abril, mas o soldo caiu para R$ 43 mil de maio a agosto. Em seis meses, acumulou R$ 373 mil de renda bruta, com média mensal de R$ 62 mil. As indenizações compensaram: somaram R$ 376 mil, com média mensal de R$ 62,6 mil. A soma das rendas médias chega a R$ 124 mil.

Carlos Costa de Oliveira, capitão de mar e guerra e adido militar na China, teve renda bruta de R$ 92 mil em março e abril. Sua renda acumulada em seis meses chegou a R$ 402 mil, com média mensal de R$ 67 mil. As indenizações somaram R$ 217 mil, com média de R$ 36 mil. A soma das médias resulta em R$ 103 mil mensais.

O capitão de mar e guerra Willian dos Santos Madela foi exonerado do cargo de adido militar na Índia em maio deste ano. Entre março e julho, recebeu renda bruta de R$ 256 mil. Em junho, parte da remuneração foi paga na Índia e parte no Brasil. Em julho e agosto, voltou ao salário brasileiro de R$ 28 mil mensais. As indenizações de março a julho somaram R$ 212 mil, pagos em dólar. Só em abril, foram R$ 144 mil.

O que as indenizações pagam

As indenizações cobrem auxílio-moradia, ajuda de custo, auxílio-familiar e indenização de representação no exterior (IREX). A ajuda de custo é paga antecipadamente ao servidor para custear despesas de viagem, mudança e instalação no novo posto. A IREX compensa “as despesas inerentes à missão” – o que, na prática, não explica muito. O valor depende da natureza da missão, da hierarquia funcional e do custo de vida local, conforme a Lei nº 5.809/1972. Jantares de representação entram nessa cota.

O auxílio-familiar cobre despesas de educação e assistência aos dependentes do servidor no exterior. É calculado com base no valor da IREX, correspondendo a 10% desse valor para a esposa e 5% para cada filho menor de 21 anos, ou estudante menor de 24 anos que não receba remuneração. Também têm direito filhas solteiras e mães viúvas que não possuam renda.

Lúcio Vaz

Lúcio Vaz é jornalista e cobre a política em Brasília há 30 anos, revelando mordomias, privilégios, supersalários, desvios de recursos públicos e negociatas nos três poderes. Com passagens por O Globo, Folha de S. Paulo e Correio Braziliense, ganhou os prêmios Embratel e Latinoamericano de Jornalismo Investigativo ao descobrir a Máfia dos Sanguessugas. Autor dos livros “A Ética da Malandragem – no submundo do Congresso” e “Sanguessugas do Brasil”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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