Casa JudiciárioAdvogados da influencer Amanda Campello tentam se eximir de responsabilidade após juíza identificar comprovante de PIX falso

Advogados da influencer Amanda Campello tentam se eximir de responsabilidade após juíza identificar comprovante de PIX falso

Defesa de Amanda Vitória Bessa Campello registra boletim de ocorrência contra a própria cliente e pede à magistrada que reconheça sua boa-fé no episódio que culminou em punições por uso de documento adulterado

por Da Redação
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Em mais um desdobramento do caso que ganhou repercussão estadual, os advogados  da influenciadora Amanda Vitória Bessa Campello apresentaram um movimento processual para afastar de si qualquer responsabilidade pela juntada do comprovante de PIX falso utilizado no Cumprimento de Sentença nº 1007145-36.2025.8.11.0001, que tramita no 7º Juizado Especial Cível de Cuiabá. Além disso, os patronos registraram boletim de ocorrência contra a própria cliente e o esposo dela, alegando terem sido induzidos em erro por ambos.

A controvérsia teve início na semana passada, quando a influenciadora anexou aos autos um suposto comprovante de pagamento da condenação por danos morais. O documento, contudo, foi minuciosamente analisado pela juíza Patrícia Ceni, que identificou múltiplos vícios, classificou o ato como tentativa deliberada de ludibriar o Judiciário e aplicou punições severas à executada.

A decisão judicial, proferida em 04 de dezembro de 2025, concluiu que o arquivo apresentado como “comprovante de pagamento” exibia indícios inequívocos de falsificação, como:

  • indicação de CPF para o “Tribunal de Justiça MT”, algo juridicamente impossível;
  • número de conta bancária “1234567890”, considerado inverossímil por sua simplicidade;
  • uma chave PIX representada por um e-mail fictício “[email protected]”;
  • divergência entre o CPF da executada e o CPF constante no comprovante;
  • inconsistências verificadas após leitura do QR Code.

Diante disso, a juíza enquadrou a conduta como ato atentatório à dignidade da Justiça e litigância de má-fé, aplicando multas, determinando nova tentativa de bloqueio de valores e encaminhando o caso ao NUMOPEDE, à Polícia Civil, ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados do Brasil para apuração de eventual prática criminosa.

Após a repercussão da decisão, os advogados Fernando Akiyoshi Moraes Hayashida e Rodrigo Pouso Miranda protocolaram petição pedindo desvinculação de responsabilidade pessoal, sustentando que:

  • agiram em absoluta boa-fé, limitando-se a anexar ao processo documento enviado exclusivamente pela cliente;
  • não possuíam meios técnicos, naquele momento, para suspeitar da falsidade;
  • somente tomaram ciência da adulteração após a decisão judicial;
  • foram vítimas de ardil praticado pela influenciadora e pelo esposo dela.

Na petição, os patronos anexaram prints de conversas de WhatsApp demonstrando que enviaram a guia correta e receberam, da própria cliente, o link que continha o comprovante adulterado.

O elemento mais contundente apresentado pelos advogados foi o Boletim de Ocorrência nº 2025.392467, registrado no dia 05 de dezembro, no qual relatam às autoridades que:

  • receberam o comprovante falsificado diretamente da cliente;
  • ao questioná-la após a decisão judicial, ela incluiu o marido Vinicius Porfírio na conversa;
  • o esposo de Amanda, Sr. VINICIUS PORFIRIO, teria assumido expressamente ter criado o comprovante falso “como forma de teste/revide”, por desconfiar das cobranças do escritório;
  • os advogados, acreditando na veracidade do documento enviado pela própria cliente, limitaram-se a juntá-lo aos autos.

O BO destaca que o escritório foi “induzido a erro” e que o envio do documento fraudado teria partido exclusivamente do núcleo familiar da influenciadora.

Na petição encaminhada à magistrada, os advogados requerem:

  1. que seja reconhecida formalmente sua total ausência de responsabilidade pela fraude;
  2. que as penalidades, investigações e eventuais repercussões ético-disciplinares recaiam somente sobre a cliente e seu marido;
  3. que a própria OAB, Polícia Civil e Ministério Público recebam cópia do pedido e dos anexos, a fim de certificar a boa-fé profissional.

A magistrada ainda não decidiu sobre o pedido de reconsideração e de isenção de responsabilidade dos advogados. Enquanto isso, o processo continua avançando com novos bloqueios judiciais e apurações externas, já que a decisão inicial determinou o encaminhamento do caso a diversos órgãos de fiscalização e persecução penal.

O episódio, que já causava repercussão pelo uso de documento adulterado para comprovar pagamento judicial, ganha agora um novo capítulo: a tentativa dos advogados de desvincular seus nomes de qualquer participação no ilícito, afirmando terem sido vítimas de fraude praticada pela própria cliente e seu esposo.

O Voz Popular seguirá acompanhando os desdobramentos do caso, incluindo eventual posicionamento da magistrada e os resultados das investigações criminais e administrativas decorrentes.

Confira o Boletim de Ocorrência: BO – 2025.392467

Por Herbert Costa

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