A influenciadora digital Amanda Vitória Bessa Campello, conhecida por seu alinhamento ideológico ao bolsonarismo e por sucessivas aparições em episódios polêmicos, voltou novamente aos holofotes — desta vez, novamente, no campo judicial. Ela é ré em um processo criminal que tramita no Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá, onde responde por injúria majorada contra servidora pública no exercício da função, em razão de ataques direcionados a uma jornalista da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT).
O caso teve origem em fatos ocorridos no dia 31 de maio de 2023, quando, segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT), Amanda Campello teria se envolvido em uma discussão com a jornalista Deisy Renata Boroviec Pinto, repórter da ALMT, durante uma entrevista realizada nas dependências do Parlamento estadual. Conforme apurado, após o desentendimento presencial, a influenciadora passou a utilizar suas redes sociais, especialmente o Instagram, para direcionar uma série de ofensas pessoais à servidora, atingindo sua honra, dignidade e decoro, com nítida relação às funções públicas por ela exercidas .
De acordo com a peça acusatória, Amanda publicou imagens da jornalista em seu ambiente de trabalho e proferiu declarações que extrapolaram o campo da crítica, enveredando para ataques pessoais e ideológicos. Entre as expressões atribuídas à denunciada estão frases como “falta de estudo, falta de história”, além de comentários depreciativos que associavam a vítima a estereótipos políticos e ideológicos, utilizando termos como “feminista”, “esquerdista”, “a favor do aborto”, acompanhados de adjetivações ofensivas. Em outros vídeos e postagens, a jornalista teria sido chamada de “burra”, “coitada”, “covarde” e “velha”, sempre em tom pejorativo, segundo descreve o Ministério Público .
A vítima, Deisy Renata Boroviec Pinto, prestou declarações formais à Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos, relatando que as ofensas tiveram forte repercussão no meio jornalístico. Segundo ela, após a divulgação dos stories e vídeos publicados por Amanda Campello, colegas de profissão passaram a entrar em contato questionando seu estado emocional, o que lhe causou constrangimento, abalo psicológico e sensação de exposição pública indevida. A jornalista afirmou ainda que se sentiu profundamente atingida em sua honra profissional e pessoal, sobretudo por ter sido atacada em razão direta de sua atuação como servidora pública da ALMT, ambiente no qual as imagens foram captadas e divulgadas sem autorização .
Ainda no curso da investigação policial, Amanda Campello foi ouvida. Em seu depoimento, prestado em 12 de julho de 2023, a influenciadora confessou a prática das ofensas. Ela reconheceu que, após o episódio ocorrido na Assembleia Legislativa, publicou os vídeos e proferiu as palavras ofensivas dirigidas à jornalista, alegando que teria agido “no calor do momento”. Embora tenha afirmado não ter tido a intenção de ofender, Amanda admitiu expressamente ter utilizado os termos descritos nos autos, declarando-se arrependida posteriormente pelo conteúdo das publicações .
Com base no conjunto probatório, o Ministério Público ofereceu denúncia imputando a Amanda Campello a prática do crime de injúria, previsto no artigo 140 do Código Penal, com a incidência da causa de aumento do artigo 141, por se tratar de ofensa dirigida a servidora pública em razão de suas funções. Além da persecução penal, o MPE requereu a fixação de valor mínimo para reparação dos danos morais sofridos pela vítima.
Após o oferecimento da denúncia, a defesa da influenciadora apresentou resposta escrita, suscitando preliminares e alegando, entre outros pontos, decadência do direito de representação e a possibilidade de celebração de acordo de não persecução penal. Apesar disso, o processo avançou para a fase de audiência.
Entretanto, conforme registrado nos autos, Amanda Campello não compareceu à audiência designada, fato que acabou por frustrar a tentativa de análise de eventuais medidas despenalizadoras. Diante da ausência da denunciada, a magistrada responsável recebeu formalmente a denúncia, entendendo estarem presentes os indícios de autoria e materialidade do delito, determinando o regular prosseguimento da ação penal .
Para além do aspecto processual, a ausência da influenciadora no ato judicial foi interpretada, nos bastidores do meio jurídico, como mais um episódio que reforça um padrão de desprezo pelas instituições e pela atuação do Poder Judiciário, conduta que, segundo críticos, já se repetiu em outros processos envolvendo seu nome.
O caso, aliás, não é isolado. Amanda Bessa Campello acumula um histórico expressivo de controvérsias públicas e judiciais. Entre os episódios mais conhecidos estão declarações envolvendo seu ex-marido, o influenciador digital Sharkão, de quem recebe pensão alimentícia no valor de R$ 15 mil mensais para o filho do casal — quantia que ela própria afirmou publicamente não ser suficiente sequer para a compra de frutas.
Soma-se a isso um processo de indenização no qual foi condenada por litigância de má-fé, após tentar induzir o Judiciário em erro mediante a apresentação de comprovante falso de pagamento. Em situação ainda mais incomum, consta desses autos manifestação de seu próprio advogado à época, sugerindo que a falsificação do documento teria sido praticada pela própria Amanda e pelo seu atual marido, afastando qualquer responsabilidade técnica da defesa.
Há, ainda, registros de outras ações judiciais nas quais ela figura como acusada por injúria, calúnia e difamação, quase sempre relacionadas a embates públicos travados nas redes sociais.
Paralelamente, Amanda e seu atual marido, Vinícius, também são alvos de investigação por suposto exercício ilegal da profissão, além de responderem a um processo de despejo, movido pelo proprietário do imóvel onde residiam, em razão de inadimplência no pagamento de aluguel.
O processo criminal por injúria contra a jornalista da Assembleia Legislativa segue em andamento, aguardando nova designação de audiência. A depender dos desdobramentos, a influenciadora poderá enfrentar consequências penais e cíveis, além de novos reflexos em sua já conturbada trajetória pública.
O VozPopular continuará acompanhando o caso e manterá seus leitores informados sobre cada novo capítulo desse processo.
