Casa Mato GrossoApós Colapso de Estruturas no Parque Novo Mato Grosso, Organização da Stock Car Tenta Restringir Responsabilidade e Já Aponta Obstáculos para Indenizar Vítimas

Após Colapso de Estruturas no Parque Novo Mato Grosso, Organização da Stock Car Tenta Restringir Responsabilidade e Já Aponta Obstáculos para Indenizar Vítimas

Mesmo após prometer cobertura securitária e reparação integral aos atingidos, organizadores agora alegam uso “indevido” de área atingida para evitar pagamento de danos; perícia foi iniciada, mas vítimas temem manobra para escapar das indenizações.

por Da Redação
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A queda parcial das estruturas montadas para o evento da Stock Car no Parque Novo Mato Grosso — inaugurado às pressas pelo Governo do Estado — segue gerando desdobramentos graves e um crescente clima de insegurança jurídica entre as vítimas. Após o colapso da cobertura de uma das arquibancadas provisórias durante a forte tempestade que atingiu Cuiabá na noite desta quinta-feira (13), parte dessa estrutura foi arrastada pelos ventos e atingiu veículos que estavam estacionados nas proximidades, deixando ao menos três feridos e causando prejuízos ainda não calculados.

 

Logo após o incidente, a organização do evento buscou tranquilizar o público ao afirmar que havia seguro contratado e que todas as vítimas seriam devidamente indenizadas pelos danos materiais e pessoais. A posição inicial, considerada protocolar diante da repercussão nacional do caso, começou a mudar já na manhã desta sexta-feira (14), quando representantes do evento passaram a atribuir responsabilidade à própria população.

 

Segundo a organização, o local onde os veículos foram atingidos “não poderia ter sido utilizado como estacionamento por visitantes”, e o acesso à área seria autorizado apenas a funcionários do evento. Essa justificativa, que contradiz os relatos de vítimas e testemunhas, levanta suspeitas sobre a tentativa de restringir a amplitude das indenizações prometidas no dia anterior. Na prática, a declaração sugere que parte dos danos poderia ser considerada fruto de “uso indevido” da área — argumento que, se levado adiante, permitiria à organização tentar excluir responsabilidades civis previstas em lei.

 

Equipes do Governo do Estado e da própria organização iniciaram, ao amanhecer, os trabalhos de perícia, remoção dos escombros e retirada dos veículos atingidos. Entretanto, a mudança de discurso — do compromisso com a reparação integral para a construção de teses defensivas — já acende um sinal de alerta entre as vítimas. Muitos temem que o seguro, antes anunciado como solução, seja agora utilizado de forma restritiva, com exclusões e cláusulas que a organização poderá invocar para negar ou limitar pagamentos.

 

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, em eventos desse porte, a responsabilidade civil dos organizadores é objetiva, especialmente quando há falhas claras de segurança, improvisação estrutural e ausência de sinalização adequada. Em outras palavras: ainda que houvesse suposta restrição de acesso ao local, caberia à organização garantir que áreas de risco não estivessem expostas a circulação de pessoas e veículos, muito menos durante treinos oficiais.

 

O episódio, somado às críticas já existentes sobre a inauguração apressada do autódromo inacabado e ao investimento bilionário feito pelo governo em detrimento de áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública, aprofunda a crise de credibilidade em torno do Parque Novo Mato Grosso. O colapso das estruturas, seguido da tentativa de limitar responsabilidades, revela não apenas falhas na execução do evento, mas também um tratamento desrespeitoso e evasivo para com as vítimas — que agora enfrentam, além dos danos sofridos, a perspectiva de uma batalha para ver seus direitos reconhecidos.

 

Enquanto a perícia avança e novas informações surgem, cresce a pressão para que o Governo do Estado e a organização da Stock Car adotem postura transparente e cumpram integralmente as obrigações decorrentes do acidente. Para os atingidos, a preocupação é clara: que a promessa de indenização não se transforme em mais uma obra inacabada — desta vez, no campo da responsabilidade e da justiça.

 

Por Herbert Costa

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