Casa BrasilÀs vésperas do Dia dos Professores, CLDF discutiu proposta para instalação de câmeras nas escolas

Às vésperas do Dia dos Professores, CLDF discutiu proposta para instalação de câmeras nas escolas

por Luiza Melo
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Um dia antes do Dia dos Professores, na terça-feira (14), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) debateu uma proposta que cria o Sistema de Monitoramento e Registro de Atividades (Simra) nas escolas do Distrito Federal e prevê o monitoramento por câmeras nas dependências das instituições de ensino, inclusive nas salas de aula.

O Projeto de Lei 944/2024, de autoria do deputado Roosevelt (PL) e do deputado Thiago Manzoni (PL), torna obrigatória a instalação desse sistema de segurança nas escolas públicas do DF. Por falta de quórum de parlamentares da base governista, o PL não foi votado e será novamente apresentado em sessão no dia 21 de outubro.

Parlamentares de oposição ao Governo do Distrito Federal criticaram o projeto e é considerado uma criminalização à categoria de professores. O distrital Fábio Félix (Psol-DF) disse que a medida não visa a segurança, mas sim a censura para a autonomia pedagógica e para a liberdade de cátedra e defendeu um maior diálogo com os professores sobre o texto. 

“Na véspera do dia dos professores, [discutir] um projeto como esse para atacar os nossos educadores e educadoras. Não dá para usar isso. É uma péssima homenagem, é um péssimo exemplo. Aprovar esse projeto sem nenhuma discussão não é de direita nem de esquerda, mas é um ataque à educação no Distrito Federal”, destacou. 

Gabriel Magno (PT-DF) criticou o texto e afirmou que o debate sobre o orçamento para a educação era mais importante: “o Fundo Constitucional do Distrito Federal vai aumentar ano que vem 3,2 bilhões de reais. O governo está apresentando menos 900 milhões para a educação. Vamos debater o orçamento para valorizar a escola”. 

O deputado Chico Vigilante (PT-DF) afirmou que, para ele, a sala de aula é “um templo sagrado dos educadores, que não pode ser violado”. Ele destacou que é mais importante uma reforma para melhorias na infraestrutura das escolas e a contratação de mais professores. Cobrou também a aprovação de um plano de carreira para a categoria.

“O objetivo desse projeto é criminalizar nossa categoria. Ele já parte do princípio que professores devem ser monitorados porque podem estar ensinado algo de errado na sala de aula. A escola pública não pode ser uniformizada. A escola pública atende o conjunto da sociedade com toda sua diversidade”, explica o dirigente do Sinpro Cleber Soares.

Segundo os autores, a justificativa para a implementação é para “aumentar significativamente a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes nas escolas e creches, proporcionando um ambiente mais seguro e protegido para alunos, professores e funcionários”. 

Durante a sessão, Manzoni ainda criticou a atuação do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) argumentando que a categoria “não se sente representada” pela entidade. A fala foi repreendida por outros parlamentares e vaiada por representantes da categoria que acompanhavam a reunião.

“É o sindicato dessa cidade com maior índice de filiação. São 35 mil professores e professoras, orientadores e orientadoras filiados ao Sinpro. Eu quero que tragam aqui um sindicato que tenha essa legitimidade. Então, quando tentam atacar o Sinpro para tentar descolar, são aqueles que dizem que não estão aqui por ideologia. Fazem ideologicamente”, defendeu Magno.

“Não permitiremos que professores e professoras sejam tratados como criminosos. Professores protegem, ajudam na formação crítica dos cidadãos e cidadãs. Se existe problema de violência nas escolas, esse é um problema resultado da falha do governo do DF, gerado, sobretudo, pela falta de investimento em educação e em políticas públicas”, afirma a dirigente do Sinpro Berenice Darc.

*Com informações do Sinpro-DF

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