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Ataque de milícia mata pelo menos 60 pessoas em campo de refugiados no Sudão

por Nara Lacerda
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Um ataque de drones e artilharia no oeste do Sudão matou pelo menos 60 pessoas refugiadas entre sexta-feira (10) e este sábado (11). O caso ocorreu na cidade de El Fasher, que está sob cerco há mais de 500 dias. Desde 2023, o país vive uma crise humanitária de proporções catastróficas, causado por um conflito entre o exército oficial do país e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF).

Em comunicado, o comitê de resistência local de El Fasher afirmou que a RSF é responsável pelos ataques. O alvo foi o centro de deslocamento Dar al-Arqam, que fica no terreno de uma universidade. O comitê detalhou que a área sofreu oito ataques de artilharia e dois ataques de drones nos últimos dois dias. 

Responsável por documentar abusos e coordenar ajuda na região, a organização classificou o evento como um “massacre”, relatando que corpos permaneceram presos sob os escombros. Ainda de acordo com comunicado “crianças, mulheres e idosos foram mortos a sangue frio, e muitos foram completamente queimados”.

A Rede de Médicos do Sudão já confirmou 53 dos óbitos relatados pelo Comitê, incluindo 14 crianças e 15 mulheres. A entidade pede intervenção urgente da comunidade internacional. Segundo o relato, a situação na cidade ultrapassa o nível de desastre e do genocídio, “enquanto o mundo permanece em silêncio”.

El Fasher tem cerca de 400 mil habitantes e é a última capital estadual na região de Darfur que ainda não foi tomada pela RSF. O grupo paramilitar atua para tentar consolidar o controle do oeste do país.

A guerra no Sudão é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das piores crises humanitárias do século. O conflito já causou a morte de mais de 150 mil pessoas, o deslocamento de mais de 14 milhões, e forçou cerca de 25 milhões à fome aguda.

Diante da escalada da violência contra civis, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, disse estar “chocado com o desrespeito interminável e gratuito da RSF pela vida civil”. Ele exigiu que os ataques cessem imediatamente.

Na segunda-feira passada (6), o Tribunal Penal Internacional (TPI) condenou o líder da milícia, Ali Kushayb, por atrocidades cometidas em Darfur há mais de 20 anos. Antes de integrar a RSF, ele fazia parte do grupo paramilitar Janjaweed que, segundo a ONU, matou 300 mil pessoas entre 2003 e 2020 na região de Darfur. 

A atual guerra civil no Sudão começou em abril de 2023 e, desde então, o país vive um cotidiano de desnutrição, deslocamento massivo, insegurança e colapso econômico, político e social. 

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