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A ideia de viver de dividendos costuma ganhar força em momentos de maior incerteza no mercado. E, dentro da Bolsa brasileira, o setor de seguradoras aparece com frequência entre as queridinhas dos investidores que buscam previsibilidade, recorrência de bons resultados e distribuição robusta de proventos.
Mas quanto seria necessário investir em ações de seguradoras para ter uma renda mensal equivalente a um salário mínimo ou até o chamado “salário mínimo necessário”, calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)?
Um estudo exclusivo elaborado para o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC por Fábio Sobreira, analista e sócio da Rocha Opções de Investimentos, traz essa conta para a mesa e ajuda a dimensionar o tamanho do patrimônio necessário para transformar dividendos de seguradoras em renda mensal. Ao mesmo tempo, analistas avaliam o momento de BB Seguridade (BBSE3), comentam o balanço recente da Porto Seguro (PSSA3) e apontam o que esperar no próximo resultado da Caixa Seguridade (CXSE3).
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Quanto é “um salário” justo hoje?
Atualmente, em 2026, o salário mínimo nominal no Brasil é de R$ 1.621. Contudo, segundo o DIEESE, o salário mínimo necessário que um brasileiro deveria ter para suprir todas as suas despesas básicas deveria ser de R$ 7.156,15.
É a partir desses dois valores que o estudo calcula quanto o investidor deveria aportar em ações de seguradoras para obter essa renda mensal com dividendos.
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Quanto investir para receber um salário mínimo por mês em dividendos?
É nesse ponto que entra o estudo exclusivo preparado para esta reportagem.
A simulação de Fábio Sobreira para o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC utiliza a mediana do dividend yield (retorno em dividendos) dos últimos cinco anos de cada ação (uma premissa mais conservadora) e calcula:
- O patrimônio necessário para gerar R$ 1.621 por mês
- O patrimônio necessário para gerar R$ 7.156,15 por mês
- O tempo para atingir esses valores com aportes mensais de R$ 500 e R$ 1.000, com reinvestimento dos dividendos, o que implica que o investidor não gastou nenhum centavo dos proventos recebidos. Veja abaixo
| Ação | Dividend yield médio (5 anos) | Patrimônio necessário para gerar R$ 1.621/mês em dividendos | Patrimônio necessário para gerar R$ 7.156/mês em dividendos | Tempo para alcançar R$ 1.621/mês investindo R$ 500/mês | Tempo para alcançar R$ 7.156/mês investindo R$ 500/mês | Tempo para alcançar R$ 1.621/mês investindo R$ 1000/mês |
|---|---|---|---|---|---|---|
| BB Seguridade (BBSE3) | 7,08% | R$ 274.746 | R$ 1.212.907 | 20 anos e 9 meses | 39 anos e 6 meses | 13 anos e 10 meses |
| Caixa Seguridade (CXSE3) | 7,62% | R$ 255.276 | R$ 1.126.953 | 19 anos e 4 meses | 36 anos e 9 meses | 12 anos e 10 meses |
| Porto Seguro (PSSA3) | 6,56% | R$ 296.524 | R$ 1.309.052 | 22 anos e 5 meses | 42 anos e 6 meses | 14 anos e 11 meses |
BB Seguridade: a “pagadora” do setor
Quando o assunto é dividendos, a BB Seguridade costuma aparecer como referência no setor. Para Lucas Uhlig, colaborador do TradersClub (TC), a diferença entre as seguradoras fica clara quando o investidor olha apenas para retorno em proventos.
“Quando a gente tá falando de dividendos e retorno ao acionista, o papel ideal é BB Seguridade. Só BB Seguridade dá 11% de dividend yield, Caixa Seguridade dá 7% e Porto Seguro dá algo entre 4% e 5%”, afirmou.
Bruno Oliveira, do Vida de Acionista, segue a mesma linha ao comparar as empresas sob a ótica de renda passiva.
“Se a ideia é viver de renda, hoje a melhor opção é BB Seguridade. Ela continua sendo a empresa que paga mais dividendos dentro do setor”, disse.
O próprio resultado mais recente da companhia ajuda a sustentar essa percepção. A BB Seguridade encerrou 2025 com lucro líquido gerencial recorde de R$ 9,1 bilhões, crescimento de 11,4% em relação ao ano anterior, segundo o balanço divulgado pela empresa nesta segunda-feira (9).
Ainda assim, os analistas ponderam que o investidor precisa olhar além do dividendo imediato. Bruno Oliveira ressalta que o mercado já embute uma desaceleração à frente.
“A BB Seguridade está com um dividend yield muito próximo de 9%. O que o mercado está dizendo é: ‘ela vai continuar pagando bem, mas o crescimento pode ser mais limitado’. Isso não invalida a tese de renda, mas exige atenção”, afirmou.
Destaques do balanço da BB Seguridade
Segundo Oliveira, a BB Seguridade entregou crescimento de lucro e reforçou sua tese de renda passiva, com resultados sustentados principalmente pelo resultado financeiro (beneficiado por Selic mais alta e marcação a mercado) e pelo bom desempenho operacional das principais investidas.
Para o analista, dois pontos se destacam: (1) o resultado financeiro combinado somou R$ 2,1 bilhões em 2025, avanço de 61,3%, aumentando a participação em termos de porcentagem no lucro; e (2) a diversificação interna segue relevante, com o resultado do ano concentrado sobretudo em Brasilseg e BB Corretora, além de contribuição importante da Brasilprev.
Na operação de seguros (Brasilseg), mesmo com queda de prêmios emitidos em 2025 (-8,8%), o lucro avançou com melhora operacional e maior carrego financeiro, trazendo um crescimento do lucro acima de 10%, destaca Oliveira.
Porto Seguro: qualidade e crescimento, mas menos renda
Se BB Seguridade lidera quando o foco são dividendos, a Porto Seguro costuma ocupar outro lugar na prateleira do investidor: o de qualidade e crescimento mais equilibrado.
A companhia encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 2,64 bilhões, impulsionada principalmente pelo desempenho do PortoBank e da Porto Saúde. Para Sergio Biz, analista e sócio do GuiaInvest, a leitura do resultado foi positiva.
“As nossas projeções são que o lucro cresça entre 8% e 10% em 2026, o que levaria o lucro da Porto para algo próximo de R$ 3,7 bilhões”, afirmou.
O problema, segundo os analistas, aparece quando o investidor tenta transformar Porto em uma máquina de renda mensal imediata. Biz lembra que o payout (parcela do lucro destinada a proventos) da companhia é historicamente menor.
“A Porto costuma trabalhar com um payout entre 45% e 50%. Isso faz com que o dividend yield fique mais baixo quando comparado a BB Seguridade ou Caixa Seguridade”, explicou. A título de comparação o payout de BB Seguridade foi de 96,7% em 2025.
Bruno Oliveira é ainda mais direto ao separar “empresa boa” de “empresa pagadora”.
“Porto é uma empresa excelente, muito bem gerida. Mas, para quem quer viver de renda agora, dificilmente ela vai entregar um dividend yield acima de 8%. Não é essa a proposta do papel”, disse. O ideal para boas pagadoras é que o retorno em dividendos seja de no mínimo 6%.
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Caixa Seguridade: o que esperar do próximo balanço
Entre BB Seguridade e Porto, a Caixa Seguridade aparece como uma espécie de meio-termo na visão dos analistas, tanto em dividendos quanto em sensibilidade ao cenário macroeconômico.
Para Sergio Biz, a expectativa é de continuidade de resultados resilientes.
“A Caixa Seguridade apresentou resultados bastante resilientes nos últimos trimestres, e a expectativa é que isso se mantenha no quarto trimestre”, afirmou.
Ele lembra que a empresa costuma distribuir uma parcela maior do lucro. “O payout da Caixa Seguridade fica na faixa de 85% a 90%, o que favorece quem busca renda”, disse.
Já Bruno Oliveira chama atenção para o peso do ambiente de juros sobre o resultado. “Em empresas como Caixa Seguridade e BB Seguridade, existe uma gangorra entre resultado operacional e resultado financeiro. Juros altos ajudam o financeiro; quando a Selic cai, o operacional tende a ganhar mais peso”, explicou.
Vale a pena tentar viver de dividendos com seguradoras?
O consenso entre os analistas é que BB Seguridade segue sendo a escolha mais direta para quem busca renda recorrente, enquanto Caixa Seguridade aparece como alternativa intermediária e Porto Seguro faz mais sentido em uma estratégia de longo prazo focada em qualidade e crescimento.
Ainda assim, todos fazem ressalvas importantes: dividendos não são garantidos, o desempenho passado não assegura resultados futuros e concentrar renda em um único papel aumenta o risco da estratégia.
A conta, portanto, ajuda a dimensionar o sonho, mas não dispensa cautela, diversificação e acompanhamento constante dos resultados.
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