O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu arquivar a representação movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) contra o deputado José Medeiros (PL-MT). O partido acusava o parlamentar de ter proferido falas ofensivas e de viés etarista contra o deputado Ivan Valente (Psol-SP) durante debates em sessão plenária.
Durante sessão realizada no dia 11 de junho na Câmara dos Deputados, o deputado Ivan Valente havia feito uso da tribuna, em tempo de Liderança, para se manifestar sobre temas da conjuntura política nacional. Logo em seguida, José Medeiros disse: “Nós estamos conduzindo a coisa mais ou menos como aquele ditado: é melhor ouvir do que ser surdo. Outro exemplo que fica após a gente ouvir falas desse membro do PSOL é que, infelizmente, a idade não melhora as pessoas. Existe até um ditado que diz que os canalhas também envelhecem. Algumas pessoas estão aqui há muito tempo, mas continuam pequenas, apequenam este Parlamento. É muito valente no nome, mas não produz nada, só destrói”.
No Conselho de Ética foi aprovado o relatório do deputado Josenildo (PDT-AP) pelo arquivamento da representação contra Medeiros. O relator justificou que as declarações estão dentro do limite do confronto político e do debate parlamentar, não configurando quebra de decoro. Segundo ele, o episódio não justificaria sanção, uma vez que não teria havido ataque pessoal capaz de comprometer o exercício do mandato ou a dignidade do parlamentar ofendido.
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) divergiu do parecer e apresentou voto em separado, defendendo uma advertência formal a Medeiros. Para Alencar, as falas extrapolaram o embate político e caracterizaram conduta incompatível com o decoro, reforçando um ambiente de desrespeito no Parlamento. Ele argumentou que o Conselho deveria dar um sinal de reprovação, ainda que por meio da penalidade mais branda.

Fonte: Câmara dos Deputados