Na Chácara Pai e Mãe, localizada em Juína, região noroeste de Mato Grosso, o produtor Marcelo Machado constrói, ao lado da esposa Sabrina Almeida, uma trajetória marcada pelo fortalecimento da fruticultura regional, com destaque para o cultivo de banana. O avanço produtivo da propriedade está diretamente ligado ao acesso à assistência técnica especializada e a novas alternativas de crédito rural estruturado.
Atendidos pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, o casal buscava uma solução financeira que permitisse ampliar a atividade com segurança e previsibilidade. A oportunidade surgiu por meio do CNA Fiagro, iniciativa ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, que combina orientação técnica, gestão da propriedade e acesso ao crédito direcionado para produtores acompanhados pela ATeG.
Lançado em 2023, o fundo exclusivo de microcrédito já está disponível em 24 estados e vem ampliando o alcance de políticas de financiamento voltadas ao pequeno e médio produtor rural. Em Juína, a integração entre microcrédito e assistência técnica consolidou um marco regional, já que Marcelo se tornou o primeiro produtor local a acessar o financiamento, abrindo caminho para que outros agricultores da região visualizem novas possibilidades de investimento produtivo.
De acordo com o técnico de campo e agente de crédito Edvaldo Menezes, o produtor já apresentava um diferencial estratégico antes mesmo da liberação do recurso financeiro. Segundo ele, a formação acadêmica em agronomia e a experiência prática acumulada ao longo dos anos facilitaram a adoção de novas tecnologias e métodos de gestão dentro da propriedade. Com a união entre conhecimento técnico e acompanhamento sistemático da ATeG, os resultados começaram a se tornar mais consistentes tanto na produtividade quanto na organização financeira da atividade.
Para Marcelo, o acesso ao crédito ocorreu em um momento decisivo para a evolução da propriedade. Ele explica que a compra de insumos a prazo nem sempre representa a melhor alternativa econômica. Ao considerar custos de produção, mão de obra e negociação com fornecedores, o financiamento possibilita aquisição à vista, ampliando o poder de negociação e reduzindo despesas operacionais, fator que impacta diretamente na margem de lucro da atividade.
Atualmente, a propriedade conta com sistema de irrigação instalado e demanda mão de obra permanente, mantendo dois colaboradores atuando diretamente na produção. A estrutura existente já permite planejamento de novos investimentos, incluindo expansão de quatro hectares da área cultivada, correção de solo, aquisição de calcário e implantação de adubação inicial para ampliação do cultivo de banana, fortalecendo o potencial produtivo da propriedade para os próximos ciclos agrícolas.
Dentro da metodologia do programa, produtores atendidos pela ATeG por pelo menos 12 meses podem se enquadrar nos critérios de acesso ao financiamento. A partir desse estágio, são realizadas análises detalhadas de margem bruta, capacidade produtiva e viabilidade de investimento, sempre considerando a realidade específica de cada propriedade rural, o que reduz riscos financeiros e aumenta a eficiência na aplicação dos recursos.
O CNA Fiagro oferece condições de financiamento com taxas de juros de até 16% ao ano e valores que variam de R$ 20 mil a R$ 300 mil, sendo que nas cadeias de apicultura e piscicultura o acesso inicia a partir de R$ 20 mil. O pagamento pode ser estruturado em parcela única ou em parcelas mensais, oferecendo flexibilidade de acordo com o fluxo de caixa do produtor.
Segundo a agente orientadora do programa Dayane Pereira, o acesso ao crédito começa de forma simples e digital. O processo inicial ocorre por meio do aplicativo Conecta Produtor, onde é possível realizar simulações, conferir requisitos e visualizar, em poucos minutos, a margem de crédito disponível, facilitando o planejamento financeiro e a tomada de decisão do produtor rural.
O modelo de integração entre assistência técnica, gestão produtiva e crédito orientado reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: o fortalecimento da sustentabilidade econômica das propriedades por meio de decisões baseadas em dados, planejamento estratégico e acesso a ferramentas financeiras adaptadas à realidade do campo.
