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Crise de segurança faz Chile ter eleição presidencial em clima de todos contra a esquerda

por Da Redação
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Votação no domingo (16)

  • Por Fábio Galão

  • 15/11/2025 às 21:33

Jeannette Jara, candidata do presidente Gabriel Boric, durante ato de campanha em Santiago (Foto: Elvis González/EFE)

O Chile realiza neste domingo (16) o primeiro turno da sua eleição presidencial, com a segurança pública como a principal preocupação dos chilenos.

Números do governo Gabriel Boric (que não concorre neste domingo porque a legislação chilena não permite mandatos presidenciais consecutivos) mostram que a taxa de homicídios foi de 6 por 100 mil habitantes em 2024.

Isso representou uma redução no comparativo com os anos anteriores (em 2023, foram 6,3 homicídios por 100 mil habitantes, e em 2022 o patamar ficou em 6,7), mas a taxa ficou bem acima dos 4,6 de 2021, ano anterior à chegada de Boric ao poder.

Embora sejam índices bem abaixo dos registrados em países vizinhos, como Brasil (19 homicídios por 100 mil habitantes em 2023, segundo o Banco Mundial), Colômbia (25) e Equador (46), eles assustam os chilenos e são agravados pela maior presença do crime organizado transnacional no país andino.

Uma reportagem do jornal espanhol El País apontou que o grupo venezuelano Tren de Aragua, um dos principais alvos da operação militar dos EUA contra o narcotráfico no Mar do Caribe, já está presente em 14 das 16 regiões do Chile, contribuindo para o aumento dos números de homicídios, sequestros, casos de extorsão e tráfico humano.

Dessa forma, a candidata do governo, Jeannette Jara, tem sido alvo das críticas concentradas dos outros candidatos. Apesar de liderar as pesquisas, as simulações de segundo turno indicam que ela perderia para a maioria dos candidatos de centro-direita a direita mais bem colocados.

O direitista José Antonio Kast, que tenta pela terceira vez chegar ao Palácio de La Moneda, prometeu implementar uma forte repressão contra a imigração ilegal, com uma proposta chamada Escudo Fronteiriço, com ações “terrestres, marítimas, aéreas, espaciais e em cibersegurança”, e disse em um debate na segunda-feira (10) que a esquerda “não tem uma resposta concreta para combater o crime organizado”.

No mesmo debate, a conservadora Evelyn Matthei disse que o Tren de Aragua “representa um risco brutal” para o Chile e que o país precisa “de um ministro [da Segurança] que os coloque na cadeia ou no cemitério”.

O também direitista Franco Parisi afirmou que, caso eleito, haverá “bala ou prisão para criminosos” e prometeu “reforçar a Lei Antiterrorismo”.

Já o libertário Johannes Kaiser prometeu no seu último comício “mão firme [contra o crime organizado] e economia livre” e disse, em entrevista ao podcast Cómo te lo Explico, que vai buscar libertar os policiais condenados por ações na resposta aos protestos de 2019.

Kaiser respondeu afirmativamente quando perguntado se libertaria também o ex-policial Patricio Maturana, que foi condenado a mais de 12 anos de prisão por ter disparado uma granada de gás lacrimogêneo que acertou no rosto e cegou a senadora Fabiola Campillai.

“A esquerda libertou seus delinquentes, inclusive abusadores sexuais. Vou devolver a liberdade aos nossos fardados, que salvaram o Chile de um golpe de Estado. Ponto final”, disse o libertário.

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