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Déficit do Brasil com os EUA aumentou após tarifaço, diz Alckmin

por Da Redação
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Tarifaço dos EUA

  • Por Guilherme Grandi

  • 26/11/2025 às 09:48

Exportações caíram 4% nos últimos três meses, enquanto que as importações de produtos americanos aumentaram 11% no ano. (Foto: Ricardo Botelho/MInfra / Agência Brasil)

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos elevou o déficit comercial brasileiro com o país, ressaltando que as exportações caíram enquanto as importações tiveram alta de dois dígitos neste ano. A constatação veio dias depois do presidente Donald Trump retirar parte da sobretaxa de 40% sobre alguns produtos agrícolas brasileiros.

Para Alckmin, não há justificativa para o tarifaço e que o governo agora vai redobrar as negociações para tentar reverter as demais sanções.

“Eles só têm superávit com três países do G20, Reino Unido, Austrália e Brasil, e isso vem crescendo. Embora tenha caído a nossa exportação para os Estados Unidos, a importação cresceu mais de 11% este ano. Então não há justificativa para estas tarifas, e o trabalho vai ser redobrado agora”, disse Alckmin nesta terça (25) em um evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 4% no acumulado do ano, com impacto mais severo nos últimos três meses. O governo afirma que a antecipação de embarques conteve uma queda ainda maior nas vendas.

Alckmin destacou que a estrutura tarifária atual favorece o país norte-americano, já que dos 10 produtos que os Estados Unidos vendem para o Brasil, 8 têm tarifa zero, o que deixa a média em apenas 2,7%. Ele ainda pontuou que 22% das exportações brasileiras estão diretamente afetadas pelas novas tarifas, com prejuízos potenciais a setores industriais e a produtos agropecuários como mel e pescados, enquanto outros 27% já sofrem sanções aplicadas também a outros países.

Alckmin citou ainda que há outras frentes de negociação em setores como data centers, big techs e exploração de terras raras, que poderiam destravar avanços diplomáticos e comerciais. Ele reforçou, porém, que o impacto tarifário exige respostas imediatas para proteger empresas brasileiras atingidas.

Entre os pontos de maior preocupação, o vice-presidente criticou a demora do Congresso em votar duas medidas enviadas pelo governo para socorrer as companhias prejudicadas.

Uma delas é o PLP que cria o chamado Reintegra Especial, prevendo crédito de 3,1% sobre o valor exportado —e de 6,1% para micro e pequenas empresas— válido apenas para 2025 e 2026. Sem aprovação legislativa, esses benefícios não poderão ser acessados.

Alckmin também lembrou que a medida provisória do Plano Brasil Soberano, que reúne grande parte das ações emergenciais, caduca em 11 de dezembro. Segundo ele, a incerteza legislativa pode comprometer ainda mais a competitividade brasileira no mercado americano.

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