O deputado estadual Elizeu Nascimento, do Novo, uma espécie de filial do PL bolsonarista, conseguiu emplacar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a escalada do avanço das facções em Mato Grosso. Mas as alegações dele para a criação da CPI jogam o parlamentar na cova rasa daqueles deputados estaduais que morrem de medo da conhecida fúria vingativa o governador Mauro Mendes quando é contrariado em seus interesses.
Nas alegações, o nobre deputado livra a cara do governo Mauro Mendes, jogando a culpa exclusivamente em quem está longe do seu alcance na Assembleia Legislativa de Mato Grosso: o Congresso Nacional e do Governo Federal. Acusa seus colegas parlamentares federais e o governo do PT de não reformar o arcabouço jurídico atual que resultou em uma ‘romantização do crime’. O deputado estadual vai convocar, assim que a CPI for instalada, o presidente da Câmara Federal, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado da República, senador Davi Alcolumbre (União-AP) e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, para prestar esclarecimentos?
Na sua peroração de fundo eleitoreiro, o deputado estadual diz que o “bate cabeça” no combate às facções, se limitando a “propor medidas superficiais, como câmeras em fardas, em vez de reformar leis arcaicas e assumir o custo financeiro do combate a crimes que transcendem as divisas estaduais”. Está claro que a CPI da Facção será montada no formato de um palanque eleitoral da extrema direita.
Elizeu Nascimento, com coragem seletiva, não abriu a boca para criticar o governo Mauro Mendes. A sua CPI da Facção corre o risco de virar a CPI de Ficção. Não investigar as condições cruéis de trabalho a que hoje estão submetidas as forças de segurança pública estadual, sem efetivo suficiente para fazer o necessário enfrentamento ao crime organizado, é o começo do fim da seriedade da CPI.
O fato é subversivo. Todas as áreas da segurança apresentam hoje déficit de efetivo. Na sua apresentação no site da Assembleia Legislativa, o deputado Elizeu Nascimento diz que representa, além dos policiais militares, “os irmãos da Polícia Civil, Agentes Penitenciários, Seguranças Privadas e outros”. Ouvi-los sobre os malfeitos da gestão do governador Mauro Mendes deveria ser o primeiro passo da CPI aberta.
