Casa BrasilDerrite está perdido com PL Antifacção e Câmara brinca com coisa séria, diz Estadão

Derrite está perdido com PL Antifacção e Câmara brinca com coisa séria, diz Estadão

por Augusto de Sousa
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deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sério, falando em microfone, sem olhar para a câmera
O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) – Reprodução

Em editorial desta sexta-feira (14), o Estadão afirma que a condução do Projeto de Lei Antifacção na Câmara virou um “espetáculo lamentável”, marcado por improviso, pressões eleitorais e falta de liderança. O jornal, no texto “Brincando com coisa séria”, critica duramente o relator Guilherme Derrite (PP-SP), que apresentou quatro versões contraditórias do texto em apenas cinco dias e demonstrou, segundo o editorial, estar “perdido” e incapaz de construir consenso sobre uma legislação crucial para enfrentar o crime organizado:

O País assiste a mais um espetáculo lamentável na Câmara dos Deputados em torno de um tema que deveria ser tratado com maturidade e espírito público: o combate ao crime organizado. Designado relator do projeto de lei antifacção, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) conseguiu a façanha de desagradar a todos: governo federal, governos estaduais, promotores, policiais e, sobretudo, a sociedade, que segue esperando respostas eficazes para a audácia das facções criminosas.

Em apenas cinco dias, Derrite apresentou quatro versões de seu substitutivo. […]

Os rascunhos, contraditórios, pintam o retrato de um relator perdido, incapaz de construir um consenso mínimo sobre um texto crucial para a segurança pública. Ninguém sabe exatamente o que está sendo discutido. […]

Derrite não teve habilidade política para chegar a um texto consensual, desfigurando o projeto a ponto de ninguém entender […] o que afinal irá à votação. […]

Numa das versões, Derrite alterou as competências da Polícia Federal, provocando uma reação unânime de policiais, juristas e parlamentares.

O texto está em constante mutação porque está premido por pressões ideológicas e interesses eleitorais. As grandes lideranças das facções criminosas certamente se sentem muito confortáveis em meio a essa barafunda.

A Câmara perde dias debatendo se o PCC ou o Comando Vermelho podem ser chamados de ‘terroristas’, uma distração inconsequente. O Brasil precisa de um marco legal racional e moderno, parecido com a legislação antimáfia da Itália. […]

É disso que o País carece, e não de retórica truculenta ou de leis improvisadas.

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