Por Herbert Costa
O deputado e ex-secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite (PP-SP), entrou de vez no jogo nacional ao assumir a relatoria do PL Antifacção – e muita gente já lê esse movimento como teste de força para uma futura candidatura ao Senado. Mas a estratégia não saiu como ele esperava.
O parecer de Derrite já chegou à quarta versão, evidenciando dificuldade de articulação com colegas da própria direita, do centrão e até da chamada bancada da bala, que enxergou uso eleitoral do tema em vez de uma construção técnica e ampla contra o crime organizado.
Nos bastidores, deputados reclamam que o relator tentou capitalizar sozinho uma pauta sensível de segurança pública, transformando o debate em palanque político. O resultado foi resistência de vários setores e o desgaste da imagem de união que a bancada da segurança costuma exibir em votações dessa natureza.
Enquanto o governo Lula pressiona para votar logo e virar a página, Derrite tenta ajustar o texto para não sair da relatoria enfraquecido. O recado do Congresso, porém, já foi dado: quem tentar usar segurança pública só como trampolim eleitoral pode acabar perdendo credibilidade justamente no tema que diz representar.
