
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro participou nesta terça (10), junto de outros bolsonaristas, de um evento no resort de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, onde o pedófilo Jeffrey Epstein atuava. O evento foi organizado por empresários hispânicos alinhados à extrema-direita trumpista.
O baile aconteceu em Mar-a-Lago, resort da família Trump em Palm Beach, na Flórida. O deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP) gravou vídeo no local e posou ao lado de Eduardo. “Olha só quem está aqui. Edu, queria muito te agradecer. Obrigado por tudo que você tem feito pelo Brasil”, disse o parlamentar.
Questionado sobre o evento, Eduardo disse que a ideia é criar “conexão” com empresários latinos. “É um evento hispânico, então tem gente aqui da Venezuela, da América Latina inteira, do Chile, Argentina. Aí você vai aprendendo com eles, os exemplos deles, o que está se passando nos países deles, estratégias corretas para aplicar no Brasil”, afirmou.
Ele cita busca por “apoio internacional” e diz que “a esquerda quer travar diálogo que a direita tem feito internacionalmente”. Vale lembrar que Eduardo vem promovendo uma articulação golpista nos Estados Unidos desde o ano passado para tentar salvar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, da cadeia.
🔴 Olha quem Tome Abduch encontrou na festa do Presidente Donald Trump , a esquerda pira. 😆 pic.twitter.com/3GEn4OBXiN
— Katia Matos (@crismonteiro687) February 11, 2026
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) também esteve no evento e tirou uma foto ao lado de Eduardo.
“Estou no exclusivo Hispanic Prosperity, em Mar-A-Lago, na residência do presidente Donald Trump, vivendo um momento histórico para a direita mundial. Aqui se celebra a força da comunidade hispana que acredita em Deus, na família, na liberdade econômica e no patriotismo — pilares que sustentam o verdadeiro progresso das nações”, escreveu nas redes.

O evento foi organizado pela Latino Wall Street, plataforma de educação financeira e comunidade de investimentos, que disponibilizou ingressos e cotas de patrocínio: as entradas individuais custaram de US$ 1,5 mil (R$ 7,5 mil), as mesas saíram entre US$ 6 mil e US$ 7,5 mil (entre R$ 31 mil e R$ 39 mil), pacote VIP a US$ 15 mil (R$ 78 mil) entrada para embaixador a US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão).
Mar-a-Lago, além de sede frequente de eventos políticos e sociais de Trump, já foi citado em documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. A relação entre o republicano e o magnata voltou ao noticiário com a divulgação de registros de uma entrevista ao FBI concedida, em 2019, pelo então chefe de polícia de Palm Beach, Michael Reiter.
Segundo o documento, após a investigação sobre Epstein se tornar pública em meados dos anos 2000, Trump teria telefonado para o departamento de polícia local. De acordo com o relato, ele agradeceu às autoridades pela apuração e afirmou: “Ainda bem que vocês estão parando ele. Todo mundo sabia que ele estava fazendo isso”.

O registro indica que Trump disse que pessoas em Nova York sabiam que Epstein era “nojento” e descreveu Ghislaine Maxwell como “operadora de Epstein”, acrescentando: “Ela é má e é preciso focar nela”. O então empresário também teria afirmado que esteve uma vez com Epstein quando adolescentes estavam presentes e que saiu imediatamente do local.
A Casa Branca afirmou recentemente que não pode confirmar se a ligação ocorreu, mas alega que Trump rompeu relações com Epstein no início dos anos 2000. Um funcionário do Departamento de Justiça declarou não ter conhecimento de provas que confirmem o contato com as autoridades naquela época.
Trump reconhece que foi amigo de Epstein nos anos 1990 e que ambos circulavam nos mesmos ambientes em Palm Beach. Ele afirma que a ruptura ocorreu após desentendimentos relacionados à contratação de funcionários de seu clube.
