A integrante da direção nacional do MST, Ceres Hadich, avaliou que o momento após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro exige cautela, mas também aponta para a necessidade de um enfrentamento direto ao bolsonarismo, que permanece influente mesmo com o líder detido. Para ela, a disputa de narrativas deve se intensificar nos próximos dias, e setores da extrema direita tendem a radicalizar o discurso para tentar capitalizar politicamente o episódio.
Ceres afirma que a prisão não encerra o ciclo bolsonarista, mas abre uma nova fase da disputa política no país, em que será fundamental fortalecer a organização popular, a defesa das instituições democráticas e a luta por políticas públicas que respondam às necessidades reais da população. Segundo ela, movimentos sociais e partidos progressistas devem atuar com firmeza para evitar que a extrema direita manipule a situação e amplifique discursos de vitimização.
A dirigente também alerta que o momento pode gerar reações descontroladas e convoca a sociedade a manter serenidade, evitando cair em provocações ou na narrativa de que o país vive um ambiente de perseguição política. Para o MST, a prioridade deve ser o combate ao ódio, a defesa do Estado Democrático de Direito e o fortalecimento das pautas sociais.
A prisão de Bolsonaro, segundo Ceres, é apenas um dos capítulos de um processo mais amplo que envolve responsabilização, disputa simbólica e reconstrução democrática — e o enfrentamento ao bolsonarismo deve continuar sendo central nessa trajetória.
Por Herbert Costa
