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Esquerda elogia operação sem tiro disparado contra CV na Bahia, mas dados mostram contradições

por Da Redação
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Deputado Federal Orlando Silva (PCdoB-SP) exaltou operação na Bahia, mas dados mostram diferença em relação ao Rio, além de polícia com histórico de letalidade maior. (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

Após a deflagração da Operação Freedom, nesta terça-feira (4), parlamentares de esquerda reagiram positivamente, elogiando a atuação da Polícia Civil da Bahia e da Polícia Civil do Ceará, em uma operação “sem tiro disparado”. Os dois estados são governados por petistas: Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Rodrigues (BA).

Personalidades de esquerda, como o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), o senador Orlando Silva (PCdoB-SP) e o jornalista Willian De Lucca ressaltaram a ausência de mortes no dado oficial. Orlando pontuou, nas informações, o “contraste quando se usa inteligência”, dizendo que “prende-se os graúdos e não se aterroriza as comunidades.”

Outra a se manifestar foi a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG): “Isso é segurança pública focada na raiz e desarticulação do crime, como tem que ser. Um trabalho inteligente, que busca de fato proteger a população.” Já o deputado federal Kiko Celeguim (PT-SP) foi mais enfático: “Segurança pública se faz com inteligência, não com carnificina.”

Operação foi menor, e PM da Bahia é a segunda mais letal do país

As manifestações, no entanto, contrastam com os dados. O volume das operações comparadas é diferente: a Operação Contenção tinha o dobro de mandados a cumprir (180) em relação à Operação Freedom (90).

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou os corpos e constatou que 95% dos 117 civis mortos possuem alguma ligação comprovada com o Comando Vermelho. Sobre os “graúdos”, a autoridade também informa que nove chefes do tráfico de cinco estados, contemplando todas as regiões do país.

O uso da inteligência também é alvo de controvérsia. Durante entrevista coletiva, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, deixou escapar que a superintendência do órgão soube com antecedência da operação no Rio, contradizendo a versão oficial do governo de que Cláudio Castro agiu às escuras. Segundo Andrei, a PF negou participar, por acreditar estar fora de seu âmbito de atuação. Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, foi por outra linha: ele argumentou que tal comunicação deveria ocorrer entre membros de primeiro escalão, e não em comunicação com o superintendente.

No braço ostensivo das forças baianas, há ainda outro dado que contrasta com as manifestações da esquerda: sob a gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a Polícia Militar da Bahia matou o dobro de pessoas em operações policiais do que a Polícia Militar de São Paulo, comparando os dados até outubro de 2024. São Paulo possui três vezes mais habitantes do que a Bahia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com as altas taxas de mortes por policiais, a PM da Bahia é a segunda mais letal do Brasil, atrás apenas da do Amapá, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024.

No Rio de Janeiro, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), foram registradas 699 mortes por intervenção de agentes do Estado em todo o ano de 2024, uma redução de quase 20% em relação a 2023.

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