As exportações brasileiras atingiram um marco histórico em 2025 ao somarem US$ 348,7 bilhões (aproximadamente R$ 1,88 trilhão, na cotação atual), o que representa o melhor desempenho da série iniciada em 1989.
O resultado superou em US$ 9 bilhões (R$ 48,6 bilhões) o recorde anterior de 2023 e ocorreu mesmo diante de um cenário internacional adverso. O crescimento de 5,7% no volume exportado foi mais que o dobro da expansão global de 2,4% prevista pela OMC para o período.
O vice-presidente Geraldo Alckmin atribuiu o sucesso a programas de produtividade como a Nova Indústria Brasil (NIB) e o Plano Brasil Soberano, que ajudaram o país a conquistar recordes em mais de 40 mercados compradores.
A corrente de comércio também alcançou o maior patamar já registrado, totalizando US$ 629,1 bilhões (R$ 3,39 trilhões). Isso ocorreu porque as importações acompanharam a tendência de alta e bateram recorde de US$ 280,4 bilhões (R$ 1,51 trilhão) — um aumento de 6,7% em relação a 2024, impulsionado principalmente pela compra de bens de capital.
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O saldo final da balança comercial fechou com um superávit de US$ 68,3 bilhões (R$ 368,8 bilhões), consolidando-se como o terceiro maior da história. Apenas em dezembro, o país registrou exportações recordes de US$ 31 bilhões (R$ 167,4 bilhões).
No detalhamento setorial, a indústria de transformação alcançou o montante recorde de US$ 189 bilhões (R$ 1,02 trilhão), com destaques para as carnes bovina (US$ 16,6 bi) e suína (US$ 3,4 bi). Na indústria extrativa, o minério de ferro e o petróleo estabeleceram novos recordes de embarque.
Já o agronegócio brilhou com valores recordes para o café verde e volumes históricos de soja (108 milhões de toneladas) e algodão.
Quanto aos destinos, a China manteve-se como principal parceira, com exportações atingindo US$ 100 bilhões (R$ 540 bilhões). As vendas para a Argentina saltaram 31,4%, recuperadas pelo setor automotivo.
Retração nas exportações para os EUA: cenário de tarifas e perda de participação
As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 37,7 bilhões (R$ 203,2 bilhões) em 2025, o que representa um recuo de 6,6% em comparação aos US$ 40,4 bilhões (R$ 217,7 bilhões) registrados em 2024.
Os dados mostram que o país norte-americano manteve a posição de segundo principal parceiro comercial, apesar do desempenho negativo. Enquanto as vendas para o mercado estadunidense caíram, as exportações totais do Brasil para o mundo apresentaram um crescimento de 3,5% no mesmo período.
A queda nos embarques é reflexo direto da implementação de barreiras tarifárias pela Casa Branca, que entraram em vigor em 6 de agosto 2025. O governo dos EUA estabeleceu uma alíquota de 50% sobre diversos produtos brasileiros, composta por uma taxa geral de 10% acrescida de uma cobrança adicional de 40%.
Essa medida reduziu a fatia das vendas para os EUA para 10,8% do total exportado pelo Brasil, atingindo o menor patamar de participação de mercado desde 2020.
“As exportações aos EUA representam 10,8% do total do que foi vendido pelo Brasil ao mundo. O percentual corresponde ao menor patamar desde 2020, quando foi de 10,3%”.
No fechamento do ano, as exportações mensais de dezembro somaram US$ 3,4 bilhões (R$ 18,3 bilhões), registrando uma baixa de 7,2% em relação ao mesmo mês de 2024. O cenário de retração comercial foi impactado pela manutenção das taxas até 14 de novembro 2025, quando o governo norte-americano anunciou a redução das tarifas de importação para itens específicos, como carne bovina, café, tomate e banana.
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