Casa OpiniãoFuga de Ramagem vira novo capítulo da briga entre Motta e PT

Fuga de Ramagem vira novo capítulo da briga entre Motta e PT

por Gustavo Zucchi
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A “fuga” do deputado bolsonarista Alexandre Ramagem (PL-RJ) para os Estados Unidos se tornou o novo capítulo da briga entre o PT e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deflagrada após a aprovação do PL Antifacção.

Nas últimas horas, petistas passaram a apontar uma possível “ajuda” da Mesa Diretora — presidida por Motta — para que Ramagem votasse a distância, ocultando que o parlamentar havia deixado o Brasil para tentar escapar da prisão pela trama golpista.

3 imagensO deputado federal Alexandre RamagemO presidente da Câmara, Hugo MottaFechar modal.1 de 3

Deputado Alexandre Ramagem

Breno Esaki/Metrópoles2 de 3

O deputado federal Alexandre Ramagem

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto3 de 3

O presidente da Câmara, Hugo Motta

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

A ação dos petistas irritou Motta, que já havia reclamado publicamente da postura do PT e do governo contra o PL Antifacção. Governistas argumentaram que o texto — que contou com a bênção do presidente da Câmara — retira recursos da Polícia Federal.

Incomodado com a nova ofensiva de petistas, Motta chegou a ligar, na quinta-feira (20/11), para o deputado Rogério Correia (PT-MG), um dos que fez comentários públicos acusando a Mesa Diretora da Câmara de ajudar Ramagem.

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Na conversa, segundo apurou a coluna, o presidente da Câmara negou qualquer ajuda a Ramagem. Motta alegou que não sabia da fuga do bolsonarista e ressaltou que o deputado só ganhou o direito de votar remotamente porque apresentou atestados médicos.

Mesmo assim, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), protocolou um requerimento pedindo esclarecimentos da Mesa Diretora sobre a situação de Ramagem.

“Pedi esclarecimentos sobre os atos administrativos envolvendo a suposta concessão de licença ‘médica’ e/ou autorização de saída do país, a aparente ausência de publicação no Diário Oficial, informações sobre eventual certificação de presença e possível utilização de celular no exterior para fins de marcar presença e realizar votação irregular a distância, com o objetivo de apurar o que aconteceu”, disse o petista.

A situação reforça o distanciamento da bancada governista em relação a Motta. Nas últimas semanas, o presidente da Câmara foi criticado por petistas, por insistir na indicação de Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do PL Antifacção.

O quadro se agravou com a votação do texto na terça-feira (18/11), quando Motta bancou a última versão do relatório de Derrite. Com isso, lideranças petistas, como o próprio Lindbergh, fizeram críticas públicas ao presidente da Câmara.

“É claro que há uma crise de confiança. É claro que todos sabem que o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] reclamou muito, porque o projeto é de autoria do Executivo. Não é a primeira vez que isso acontece”, declarou Lindbergh após a sessão de terça-feira.

A interlocutores Motta admite que a relação com o PT e o governo hoje é péssima. Por ora, nenhum dos lados parece disposto a recuar. Mas o governo sabe que não pode esticar a corda demais, porque ainda depende da Câmara para aprovar algumas pautas.

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