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Governo notifica Meta para remoção de conteúdos que vendem materiais usados em falsificação de bebidas

por Da Redação
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AGU notificou a meta e deu prazo de 48 horas para que detalhe medidas. (Foto: Sandro Araujo / GDF)

A Advocacia-Geral da União (AGU), órgão do governo federal, notificou a Meta — empresa responsável pelo Facebook e Instagram — para que remova, com urgência, conteúdos e grupos que promovem a venda ilegal de lacres, tampas, rótulos e garrafas de bebidas alcoólicas.

A AGU deu como prazo 48 horas para que a companhia informe que medidas adota para identificar, bloquear e moderar esses conteúdos ilícitos. A Meta foi procurada e informou que não vai comentar.

A notificação também exige a preservação de provas, como registros de publicações, autores e mensagens. O não cumprimento pode levar a ações judiciais nas esferas civil, administrativa e criminal.

Reportagem denunciou comércio

A AGU informou que a ação foi motivada por uma reportagem da BBC News Brasil, publicada em 3 de outubro, que revelou um comércio clandestino ativo dessas peças em plataformas da Meta.

Esses materiais são usados na fabricação de bebidas falsificadas, muitas vezes contendo metanol — substância altamente tóxica que pode causar cegueira, danos neurológicos irreversíveis e até a morte.

Os anúncios ofereciam produtos de marcas conhecidas e até falsos selos da Receita Federal, com entrega em todo o país e venda em larga escala para grupos com milhares de participantes.

Violação de leis e responsabilidade

A AGU destacou que a prática viola normas sanitárias, penais e de defesa do consumidor, podendo configurar crime contra a saúde pública, conforme o artigo 272 do Código Penal.

A Procuradoria lembrou ainda que a omissão da Meta na moderação desses conteúdos contraria as próprias políticas da empresa, que proíbem a venda de produtos ilegais ou destinados à falsificação.

O documento cita decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet, que estabelece a responsabilidade das plataformas quando, cientes de conteúdos ilícitos, não agem para removê-los em tempo razoável. No caso de anúncios pagos ou redes artificiais de distribuição, essa responsabilidade é presumida, mesmo sem notificação prévia.

O Ministério da Saúde confirmou neste sábado (4) a notificação de 127 casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas no país, sendo 11 casos laboratoriais confirmados e 116 ainda em investigação, além de 12 óbitos registrados, dos quais um já confirmado em São Paulo e outros 11 em análise.

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