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Juiz de Fora: semear direitos para não colher tragédias

por admsocialista
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Há um mês, Juiz de Fora enfrenta um dos momentos mais duros de sua história: 65 pessoas morreram e quase 10 mil ficaram desabrigadas após chuvas intensas ocorridas em 23 e 25 de fevereiro. Embora o volume tenha sido extraordinário, as causas dessa tragédia não são imprevisíveis. Estão ligadas à desigualdade histórica, à negligência do direito à moradia digna, ao avanço da especulação imobiliária e ao desmonte das políticas públicas.

Os mais atingidos têm rosto e endereço: famílias pobres e periféricas, mulheres trabalhadoras, crianças e a população negra. São os mesmos que também enfrentam, no cotidiano, discursos e práticas de ódio e exclusão. A tragédia escancara que essas violências não são apenas simbólicas; elas se materializam na falta de acesso à cidade, a direitos básicos e à educação.

Mais do que um desastre climático, o que vemos também revela como crises podem ser usadas para distorcer a realidade. Ao deslegitimar o Estado e tratar o público como problema, abre-se espaço para privatizações e soluções precárias. O risco é fazer com que a própria população desacredite dos instrumentos que poderiam protegê-la.

Tomando cuidado com oportunismos, é preciso atenção para que a indignação seja ponte para a construção de projetos que diminuam as desigualdades. Garantir um planejamento de cidade, iniciativas de preservação do meio ambiente, educação de qualidade, uma vida além do trabalho exaustivo, com o fim da escala 6×1, fortalecer leis de proteção contra a violência de gênero e infantil e ampliar mecanismos de reparação histórica e assistência social são caminhos concretos. Também é fundamental fortalecer redes comunitárias e solidárias, como as que vimos atuando de forma decisiva.

Juiz de Fora precisa semear urgentemente um novo amanhã, que valorize a vida e a força de quem constrói a cidade com seu suor. É preciso plantar um futuro com participação popular, com a nossa gente decidindo sobre a própria cidade, fiscalizando o poder público e exigindo reconstrução, prevenção e justiça.

Só assim, livres da hipocrisia e conscientes da força coletiva, iremos colher um futuro digno não só para alguns, mas para todas e todos.

 

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