Casa MundoJustiça da Argentina ordena prisão de ex-ministro de Kirchner por acidente que causou morte de 51 pessoas

Justiça da Argentina ordena prisão de ex-ministro de Kirchner por acidente que causou morte de 51 pessoas

por Da Redação
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Julio De Vido

  • Por John Lucas

  • com Agência EFE

  • 13/11/2025 às 16:33

Cristina Kirchner, ao lado do então ministro do Planejamento, Julio de Vido, em foto de 2015. (Foto: David Fernández/EFE)

A Suprema Corte de Justiça da Argentina ordenou a prisão do ex-ministro do Planejamento Federal Julio De Vido, aliado histórico dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, por administração fraudulenta em um caso relacionado a um acidente ferroviário que matou 51 pessoas em 2012.

De Vido, de 75 anos, apresentou-se voluntariamente na manhã desta quinta-feira (13) ao Tribunal Oral Federal nº 4, em Buenos Aires, acompanhado por seu filho e advogados. Após ser notificado da decisão, foi detido e levado sob custódia para o presídio federal da cidade de Ezeiza, onde deverá cumprir pena de quatro anos de prisão, conforme informou o jornal La Nación.

A condenação de De Vido, confirmada no começo desta semana, havia sido imposta em 2018 pelo mesmo tribunal, que o considerou “partícipe necessário do crime de administração fraudulenta em prejuízo da administração pública”, por não ter fiscalizado o uso de recursos destinados à empresa Trenes de Buenos Aires (TBA), concessionária do serviço ferroviário envolvido no acidente que ficou conhecido como “Tragédia de Once”.

O acidente ocorreu em 22 de fevereiro de 2012, quando um trem da linha Sarmiento colidiu contra a plataforma final da estação Once, em Buenos Aires, deixando 51 mortos e mais de 700 feridos. Segundo o La Nación, o tribunal concluiu que a má gestão e a falta de controle sobre os subsídios públicos concedidos à concessionária contribuíram diretamente para o desastre.

De acordo com a agência EFE, a defesa do ex-ministro havia solicitado prisão domiciliar, alegando idade avançada e problemas de saúde, mas o pedido foi negado. O tribunal também rejeitou um recurso de prescrição apresentado pela equipe jurídica de De Vido, que acusou a Suprema Corte de agir com “velocidade suspeita e oportunismo evidente” ao confirmar a sentença.

Julio De Vido foi um dos ministros mais influentes do kirchnerismo, ocupando o cargo de ministro do Planejamento Federal entre 2003 e 2015, durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner. Ele já havia sido preso entre 2017 e 2019 por outro caso de corrupção e responde a diversos processos judiciais, incluindo o escândalo dos “Cadernos da Corrupção”, no qual também figura Cristina Kirchner como principal acusada.

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