Nesta segunda-feira (13), o Morro Santo Amaro, na região do Catete, zona sul do Rio, se reúne para a inauguração do Memorial “Herus Vive”, criado para manter viva a história de Herus Guimarães Mendes, morador da comunidade que completaria 24 anos hoje, mas teve a vida brutalmente interrompida pela violência policial.
O jovem foi assassinado há quatro meses, durante uma operação que interrompeu uma festa junina no Santo Amaro. A ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar deixou cinco pessoas feridas e tirou a vida de Herus, atingido por dois tiros no abdômen. Testemunhas afirmam que ele foi arrastado por policiais após ser baleado. A cena marcou profundamente a comunidade e acendeu um clamor por justiça.
Desde então, o grito “Herus Vive” ecoa pelas ruas do Santo Amaro, nas paredes, nas vozes de familiares, amigos e movimentos sociais populares. Segundo a organização do ato, o memorial nasce como gesto de resistência, mas também de afeto para reafirmar que a vida de Herus não será esquecida.
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A inauguração, a partir das 18h, contará com falas de familiares, lideranças comunitárias e movimentos de juventude, além de ações culturais e homenagens simbólicas. “Será um encontro para transformar dor em força, memória em ação e ausência em presença viva”, afirma a convocação para o ato.
O local escolhido para a homenagem é conhecido no Santo Amaro como área do campo, onde crianças se reúnem para brincadeiras. O espaço recebeu uma pintura em grafite com o rosto e o nome de Herus e será coberto de artes, flores e velas.
Para a comunidade, o memorial “Herus Vive” se torna também um símbolo maior, num país em que o racismo e a violência policial interrompem vidas jovens e negras nas periferias e favelas. Ao erguer esse espaço, a comunidade reafirma que a juventude preta tem direito de viver, sonhar e celebrar.
Relembre o caso
Na noite do dia 7 de junho de 2025, a polícia militar fluminense realizou uma operação em meio a uma festa junina que acontecia no Santo Amaro. No local estavam famílias, jovens e crianças.
Vídeos nas redes sociais mostram que as pessoas ficaram desesperadas em meio aos disparos. No momento da invasão policial, a comunidade recebia uma apresentação de quadrilhas juninas de várias regiões da cidade.
O jovem Herus Guimarães Mendes, de 24 anos, que trabalhava como office boy foi atingido na barriga por um dos tiros e morreu no hospital. Ele deixou um filho de dois anos. Outras cinco pessoas saíram feridas na operação.
Três meses depois, o coronel afastado do comando do Bope após a tragédia que vitimou Herus foi nomeado o cargo de superintendente de Gestão Integrada da Polícia Militar. Na ocasião, a PM informou em nota ao portal G1 que não havia “qualquer determinação judicial que impeça o referido oficial da ativa de exercer a função policial” e que o inquérito policial militar sobre o caso foi concluído e encaminhado ao Ministério Público Militar.
Serviço
Ato de inauguração do memorial “Herus Vive”
Segunda-feira (13), às 18h
Local: Morro Santo Amaro (Área do Campo)
Evento aberto ao público

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