A agressão de Dado Dolabella contra a modelo Marcela Tomaszewski, revelado em primeira mão pelo titular desta Coluna no último sábado, dia 25, vem ganhando novos contornos nas últimas horas.
Ainda no sábado, na delegacia, Marcela não prosseguiu com a denúncia contra o ator e teria sido recebido orientações de um advogado de Dado sobre o que deveria ser falado em seu depoimento, atitude que seu então advogado classificou como coação. Por conta disso, inclusive, o ator não teve sua prisão em flagrante decretada.
Depois que a notícia veio à tona e foi negada por Marcela, Rafaela Clemente, amiga da modelo, divulgou registros em que a Miss Gramado aparece com hematomas visíveis e um dos dedos imobilizado. Em nota, o ator afirmou que as imagens foram “tiradas de contexto”.
Nesta segunda-feira, dia 27, as defesas de ambos sofreram reviravoltas. Fernanda Tripode, que vinha sendo associada à defesa de Dado, anunciou que não atuaria mais no caso. Em nota, afirmou estar na Itália há mais de um mês, que tomou conhecimento do episódio apenas pela imprensa e classificou a acusação de coação como “absolutamente inverídica”. A advogada citou “informações conflitantes apresentadas pelo casal” e acrescentou que arquivou comunicações que poderão embasar medidas legais futuras.
Do lado de Marcela, Diego Candido também deixou a representação. O advogado declarou que a cliente optou por não prosseguir com a denúncia e que, por não concordar com a decisão, decidiu se afastar do caso. “Após a decisão de Marcela Tomaszewski em não prosseguir com a denúncia, mesmo cientificada de seus direitos, resolvo sair do caso por questões de foro íntimo. Repudio qualquer forma de violência, preconceito e discriminação. Luto diuturnamente no combate a esses crimes, buscando a punição dos responsáveis”, declarou.
Na sequência, Marcela publicou um vídeo dizendo que não tem mais representante jurídico “neste momento” e que está em casa com a mãe. “Respeito muito o trabalho dele, ele me auxiliou bastante, mas hoje, logo cedo, conversamos e disse que gostaria de não continuar com ele neste momento”, explicou. “Estou na minha casa com meus cachorros e com a minha mãe. Está tudo bem. O coração em paz e tudo vai ser esclarecido da melhor forma possível nos próximos dias.”
Enquanto as equipes jurídicas de ambos recuavam, o Ministério Público do Rio de Janeiro confirmou que recebeu denúncias contra o ator e, de acordo com a revista Veja, passou a investigar formalmente o caso no núcleo de violência doméstica, após a circulação de imagens e relatos nas redes sociais. Ainda de acordo com a revista, as denúncias foram feitas no domingo, 26, de forma anônima pelo canal da ouvidoria no site do órgão.
Mesmo que Marcela Tomaszewski tenha desistido de formalizar a denúncia, o fato de o Ministério Público do Rio de Janeiro ter instaurado uma investigação formal significa que o caso segue adiante. Pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), a ação penal nesses casos é pública incondicionada, ou seja, independe da vontade da vítima. O MP pode solicitar prisão preventiva se entender que há provas da agressão e risco à integridade física ou psicológica da mulher. A decisão cabe ao juiz, que avalia os indícios, o histórico do acusado e o perigo de novas agressões.
Em meio a versões conflitantes e idas e vindas processuais, esta Coluna conversou com exclusividade com uma pessoa próxima de Marcela, que relatou o estado emocional delicado da modelo e o contexto de sua relação com Dado Dolabella.
Segundo a fonte, Marcela vive um momento de extrema vulnerabilidade emocional, com tendência a desenvolver laços de dependência com qualquer pessoa que demonstre afeto. “Ela não tem base familiar, não tem amigos próximos”, contou.
A fonte acrescenta que a modelo faz uso diário de medicamentos, mas não vem fazendo o acompanhamento médico adequado, o que agrava tudo. De acordo com a fonte, o quadro emocional da modelo teria ficado ainda mais abalado após um casamento traumático que a deixou com muitos danos emocionais e financeiros.
Mesmo diante das dificuldades, Marcela tentou recomeçar. “Ela chegou a sair do país tentando se reerguer. […] Quando voltou pro Brasil, acabou se aproximando do Dado, que ela já conhecia há mais de dez anos. Então essa relação não é algo recente, ela já tinha uma ligação afetiva com ele, e isso só reforçou a dependência dela.”
Esse vínculo antigo explica, segundo essa fonte, as mudanças de postura da modelo desde o episódio. “O que as pessoas estão vendo agora, com ela indo e voltando nas falas, dizendo que vai denunciar e depois desistindo, não é incoerência ou mentira. É reflexo de uma mulher que tá completamente perdida, dependente e com medo. Ela é uma pessoa que precisa de acolhimento e tratamento, não de julgamento.”
A fonte resume dizendo que Marcela vive um momento de confusão e busca por estabilidade. Ele acredita que o foco agora deve ser em acolhimento, apoio profissional e afastamento da pressão pública, para que ela consiga se refazer emocionalmente.
Na minha visão, o relato dessa fonte demonstra como mulheres emocionalmente abaladas acabam presas em ciclos de repetição, já que Marcela veio de um relacionamento traumático e abusivo e agora vê a situação se repetindo, inclusive no aspecto financeiro. Ainda assim, a Coluna apurou que, em algumas discussões, Dado chegou a acusar Marcela de se aproveitar dele, afirmando que ela era quem buscava fama com o relacionamento, em uma clara tentativa de inverter a situação.
Ao contrário do que é dito por Dolabella, Marcela é a mais prejudicada com o envolvimento. Após a repercussão do caso, a Coluna soube com exclusividade que a estilista foi orientada por sua equipe a atrasar o lançamento da nova coleção de sua marca de biquínis, por conta da repercussão da agressão que sofreu que, de forma assustadora, também veio acompanhada de uma onda de ataques contra ela. Mesmo beirando o inacreditável, alguns internautas acusam a modelo de merecer ou gostar de apanhar.
Mesmo que tenham reatado o relacionamento e que Marcela tenha optado por não prosseguir com a denúncia, a investigação do Ministério Público segue adiante e pode culminar na prisão de Dado Dolabella, independente da vontade da vítima. O desfecho dessa história agora depende da Justiça. O clamor popular também se faz necessário.
Se você ou alguém que conhece está em situação de violência, busque ajuda: ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, ou 190, Polícia Militar, em caso de emergência. Denúncias anônimas também podem ser feitas pela ouvidoria do Ministério Público em todo o país.
