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Lula diz que pediu a Trump o fim de sanções a outros ministros e que vai seguir insistindo

por Da Redação
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O presidente Lula (PT) disse ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retirasse retaliações como a suspensão dos vistos em passaportes de outros ministros brasileiros, após a retirada das sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Mandei mensagem para ele dizendo que ele precisa liberar todos os meus ministros que ele colocou nessa lei que pune pessoas de outro país. E disse para ele que é importante lembrar que meus ministros estão sendo punidos porque cumpriram a Constituição”, declarou em entrevista concedida ao SBT News.

A entrevista, feita na sexta-feira (12), horas após os Estados Unidos anunciarem a retirada de Moraes da lista de sancionados, foi ao ar nesta segunda-feira (15).

“Fiquei feliz quando recebi a notícia de que ele tirou a do Alexandre. E vai tirar a dos outros, porque eu vou continuar insistindo com ele”, disse.

Entre ministros que chegaram a ser afetados pela restrição dos vistos estão Fernando Haddad (Fazenda), Ricardo Lewandowski (Justiça) e Alexandre Padilha (Saúde). Os vistos foram restabelecidos temporariamente para comparecimento das autoridades em eventos oficiais internacionais.

Em sua fala, Lula se refere à mensagem direta que enviou a Trump agradecendo pela retirada das sanções logo após o anúncio. Moraes estava na lista de indivíduos sancionados com base na Lei Magnitsky, legislação aplicada a pessoas que teriam cometido graves violações aos direitos humanos, incluindo ditadores.

A decisão de usá-la para uma autoridade brasileira tinha sido inédita. Os EUA aplicaram a mesma sanção a integrantes de cortes superiores da Venezuela.

Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, no telefonema feito entre os dois presidentes na semana passada, Lula havia falado a Trump sobre a importância de retirar a sanção aos ministros. Até então, não havia a confirmação de que o americano retiraria a medida.

Na noite da entrevista, parte do evento de lançamento do SBT News, Lula também se encontrou com Moraes, que agradeceu em discurso a contribuição do presidente no recuo da decisão dos EUA. A conta oficial do presidente publicou uma foto em que os dois aparecem abraçados ao ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno.

Ainda na entrevista, Lula defendeu a autonomia do Supremo ao comentar a decisão do ministro Flávio Dino de autorizar uma operação da Polícia Federal na Câmara dos Deputados, que mirava um esquema irregular relativo a emendas parlamentares.

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O petista foi questionado sobre sua influência em decisões de ministros do Supremo indicados por ele, como no caso de Dino.

“Quase todos os ministros do STF foram indicados por mim. Se eu tivesse interferência na Suprema Corte eu ia ficar preso 580 dias? A verdade é que a Suprema Corte é totalmente independente, autônoma e é bom que seja assim. O presidente não tem e não quer ter interferência sobre os votos dos ministros da Suprema Corte, como eu não quero que eles tenham interferência nas coisas que eu faço”, disse.

“Se há uma investigação, uma denúncia, se essa denúncia está acumulada de muitas provas e o ministro toma a decisão de mandar fazer busca e apreensão, ora, é um problema que só cabe ao ministro, o presidente da República não tem nem como dar opinião sobre isso. As pessoas se esquecem que já foram fazer busca e apreensão na minha casa”, completou.

Ainda ao falar de autonomia dos Poderes, Lula disse acreditar que seu indicado ao STF, Jorge Messias, será aprovado pelo Senado. O petista também reforçou o tom de vitória em relação às eleições presidenciais de 2026. “A única certeza que tenho é que nós vamos ganhar as eleições pelos serviços prestados ao povo brasileiro.”

“Acredito que ele será o ministro da Suprema Corte aprovado pelo Senado. Estou trabalhando para isso e o Messias está trabalhando para isso. E eu não indiquei pessoa qualquer, indiquei um advogado muito competente, um advogado-geral da União extraordinário, que demonstrou ao longo do tempo seriedade e serenidade no jeito de advogar e defender o Estado brasileiro como poucos defenderam. Portanto ele merece estar lá.”

Moraes havia sido punido pelo governo Trump em 30 de julho. Na época, o ministro foi acusado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, por “graves abusos de direitos humanos” em razão de sua atuação como magistrado da corte.

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