O presidente Lula (PT) interrompeu o discurso que fazia no evento de abertura da nova ponte de integração entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu, após falha em sistema de som e desceu do palco, encerrando a cerimônia antes do previsto.
“Enquanto, como Renan [Filho, ministro dos Transportes] disse, tem presidente querendo construir muro para pobre não atravessar para seu país, tem gente querendo fazer guerra para permitir que o outro não passe para o seu lado, nós aqui, latino-americanos, sul-americanos, paraguaios e brasileiros, nós somos da paz…”, dizia até ter a fala interrompida pelo corte do som do microfone. Também houve falha no telão.
Lula tentou retomar o discurso, mas o microfone seguiu sem som. Ele discursou, então, para o público que estava mais próximo das autoridades, até descer do palco, demonstrando insatisfação. Antes de deixar o local, o presidente parou para falar com simpatizantes que se aglomeravam na plateia.
Segundo a organização do evento, houve um problema pontual no gerador contratado para o palco e ele seria substituído por um segundo equipamento. A troca não ocorreu, ainda de acordo com os organizadores, porque o presidente já estava encerrando o discurso e decidiu descer para cumprimentar pessoalmente a plateia.
Ao todo, o discurso de Lula durou menos de 10 minutos. Antes, o chefe do Executivo fez um retrospecto histórico da construção da ponte, que liga Foz do Iguaçu (PR) à cidade paraguaia Presidente Franco. O processo se arrasta há mais de 30 anos, e a ponte já tinha sido concluída, mas ficou três anos sem uso devido à falta de aduana e de acessos viários.
Também estiveram presentes na cerimônia diversos ministros, entre eles, Renan Filho (Transportes), Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), além de auxiliares e do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, não compareceu ao evento. Segundo Lula, ele não foi à inauguração organizada pelos brasileiros por um problema de ordem familiar em Assunção.
No lado brasileiro, serão abertos também a nova aduana e os acessos, liberados pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e pela Polícia Rodoviária Federal.
A ponte de integração contou com recursos do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e investimento de R$ 1,9 bilhão dos dois países. Ela foi financiada pela Itaipu, em arranjo institucional que envolveu o governo brasileiro, o DNIT e o governo paranaense.
Como mostrou a coluna Painel, a inauguração da via colocou em lados opostos o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), pré-candidato a presidente, e o governo Lula, devido à obra da Perimetral Leste –cerca de 15 km ligando a BR-277 e a nova ponte.
Em seu discurso, Lula fez menção à inauguração do acesso feita antecipadamente pelo governador. “Ele poderia ter esperado para a gente fazer tudo de uma vez, mas ele tinha pressa, e a verdade é que ele inaugurou uma obra financiada 100% com o dinheiro de Itaipu”, disse.
Com 760 metros de extensão total, a obra vai absorver o tráfego de caminhões e desafogar a Ponte da Amizade. O fluxo de veículos será liberado de forma gradual, sendo apenas para caminhões sem carga nos dois sentidos em uma primeira fase.
Hoje, cerca de 400 caminhões sem carga passam diariamente pela ponte da Amizade, até então única conexão viária existente entre Brasil e Paraguai na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina).