O coração do agronegócio brasileiro, Mato Grosso, vive um momento de movimentação intensa nesta semana. De um lado, o avanço sólido na comercialização da safra 2025/26; de outro, uma mudança histórica na geografia logística que está barateando o frete e acelerando a chegada do grão mato-grossense ao mercado mundial.
De acordo com dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgados nesta segunda-feira (09/03), a comercialização da soja safra 25/26 alcançou 56,58% da produção prevista. O índice representa um salto de 7,09 pontos percentuais em relação a janeiro, impulsionado por uma leve recuperação nos preços, que fecharam fevereiro com média de R$ 107,19 por saca.
Radar de Mercado: Mesmo com a alta mensal de 2,95% nos preços, produtores mantêm a cautela para as vendas antecipadas da safra 2026/27, que atingiram apenas 3,96% da produção estimada até o momento.
Logística: A soja agora “sobe” o mapa
O domínio de Mato Grosso, responsável por quase 30% da soja nacional, forçou uma revolução na infraestrutura brasileira. O escoamento da safra, que historicamente “descia” para os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), agora busca o Arco Norte para reduzir custos e tempo de viagem.
Rotas acima do paralelo 16, utilizando portos como Mirituba (PA) e Itaqui (MA), tornaram-se o ponto crucial da operação. Os números comprovam essa ascensão: em 2009, o Arco Norte escoava apenas 16% da produção nacional; hoje, esse volume já ultrapassa os 34%. Para o produtor de MT, essa nova rota pode representar uma redução de até 15% no valor do frete.
Os gargalos que ainda desafiam o produtor
Apesar do salto tecnológico dentro das fazendas — onde a produtividade saltou de 35 para até 90 sacas por hectare em 50 anos — a infraestrutura fora da porteira ainda é um desafio. Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento cobre apenas 40% da produção, obrigando o setor a investir pesado em silos próprios e logística rodoviária.
O sistema de agendamento em portos como o de Itaqui trouxe alívio aos caminhoneiros, mas o “nó” logístico persiste no trajeto entre a fazenda e os terminais. Atualmente, 66% da carga brasileira ainda depende das rodovias, muitas vezes em condições precárias.
Com informações de Imea e Agrolink.
Acompanhe o Cenário MT: Fique por dentro de todas as cotações e notícias do Agronegócio em Mato Grosso em tempo real.
