Lula e o minsitro emedebista Renan Filho, que trabalha para manter o partido na base aliada. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, admitiu que o partido pode vir a apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou uma eventual candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), de São Paulo, nas eleições presidenciais de 2026. A mudança de estratégia ocorre meses depois do presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Alceu Moreira (MDB-RS), afirmar que a sigla pretendia ter um candidato próprio sem estar atrelado ao petista ou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O MDB tem uma ala aliada ao governo com três ministros na Esplanada: Simone Tebet (Planejamento e Orçamento), Renan Filho (Transportes) e Jader Filho (Cidades). Lula tem, ainda, o apoio do governador paraense Helder Barbalho, um dos nomes mais fortes do partido.
“A decisão nossa, nacional, vai ser tirada na convenção. O MDB, diferentemente de outros partidos, tem diretórios, tem composição em cada um dos Estados. Na convenção, todos vão ter direito ao voto, e todos vão poder opinar se apoiam um projeto, outro, ou até se não participarão da eleição nacional”, afirmou Baleia Rossi em um evento em São Paulo na quinta (16) com líderes partidários como Gilberto Kassab (PSD), Paulo Serra (PSDB) e Renata Abreu (Podemos).
Um pouco mais cedo, Renan Filho sinalizou a possibilidade de o partido ser vice de Lula em 2026, o que desbancaria o PSB de Geraldo Alckmin. No entanto, diz, as conversas ainda são preliminares.
“O MDB já teve a vaga de vice no passado, em outros momentos, e pode voltar a ter, mas esse não cabe somente ao MDB, essa é uma discussão do governo agora e do próprio presidente Lula. […] Eu espero que o MDB esteja com o presidente Lula [em 2026]. E eu tenho dito dentro do governo que o governo precisa se esforçar para atrair os partidos que puder atrair”, disse o ministro em entrevista ao UOL.
Renan Filho emendou afirmando que pontos como a popularidade do governo e os números da economia podem ajudar a manter o MDB na base aliada em 2026. Ele é, ainda, cotado para deixar a Esplanada para concorrer ao governo de Alagoas.
A possibilidade do MDB se manter na base também é frequentemente sinalizada pelo ministro em discursos junto de Lula em eventos oficiais.
Por outro lado, ainda no almoço com líderes partidários em São Paulo, Baleia Rossi afirmou que o MDB está comprometido com a reeleição de Tarcísio no estado e que o partido deve ter oito candidatos próprios a governador em 2026.
Tarcísio tem reiterado que pretende concorrer a um segundo mandato no Palácio dos Bandeirantes, embora seja considerado um nome forte para disputar o Planalto com Lula.
O apoio do MDB a Lula, no entanto, esbarra em uma ala do MDB que tem o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, como um dos principais expoentes. No ano passado, o político defendeu que o partido deixe a base aliada, afirmando que “não tem o menor sentido” apoiar a reeleição do petista.
“É natural, e óbvio, que eu vou defender quem me apoiou. E quem me apoiou foi o Tarcísio, quem me apoiou foi o presidente Bolsonaro”, disse na ocasião.
Na época, Nunes também criticou a correligionária Simone Tebet por ter aderido à campanha de Lula no segundo turno de 2022, dizendo que faltou diálogo por parte dela.
“Ela era candidata do meu partido, eu fiz campanha para ela, ela teve muito mais votos aqui do que na terra dela. Na hora de declarar apoio, ela poderia pelo menos ter conversado [comigo]”, disparou.