Metade das pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no Brasil não conclui nem o ensino médio. O dado faz parte de uma ampla pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela em 23 estados, revelando o peso da desigualdade educacional na formação do ciclo do crime.
O estudo mostra que a baixa escolaridade é um dos fatores mais presentes na trajetória de quem entra para o tráfico: jovens que abandonaram a escola cedo, enfrentaram falta de oportunidades, evasão escolar, violência comunitária e ausência de políticas públicas efetivas. Para muitos, o crime aparece como única alternativa econômica — não por escolha, mas pela falta delas.
A pesquisa reforça um ponto crucial: educação e prevenção caminham juntas. Quanto menor o acesso ao ensino de qualidade, maior a vulnerabilidade dos jovens às redes do tráfico. Enquanto isso, estados e municípios ainda falham em garantir escola de tempo integral, acesso à cultura, esporte, assistência social e políticas de permanência escolar.
Os dados também reacendem o debate sobre a necessidade de políticas públicas reais, que atuem antes da repressão policial, ofertando caminhos possíveis para crianças e adolescentes que vivem em áreas mais vulneráveis.
Investir em educação, acolhimento e oportunidade continua sendo a estratégia mais eficaz — e mais barata — para reduzir o avanço do crime organizado no país.
Por Herbert Costa
