
Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal a registrar aumento no desmatamento em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30.10) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Enquanto a Amazônia brasileira teve queda de 11,08% na área desmatada em relação a 2024, o território mato-grossense apresentou alta de 25,06%.
De acordo com o sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área estimada de desmatamento na Amazônia foi de 5.796 km², o que representa o menor índice dos últimos onze anos. Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, oito registraram redução. Tocantins (-62,5%), Amapá (-48,1%) e Roraima (-37,4%) tiveram as maiores quedas.
Em Mato Grosso, o desmatamento se concentrou em dez municípios, com destaque para Porto dos Gaúchos (136,28 km²), Nova Maringá (134,86 km²) e Colniza (130,89 km²). Também figuram na lista Feliz Natal (124,27 km²), União do Sul (115,94 km²), Marcelândia (104,58 km²), Nova Ubiratã (82,04 km²), Aripuanã (64,97 km²), Juara (61,88 km²) e Peixoto de Azevedo (57,00 km²).
Apesar do aumento na Amazônia, o estado apresentou melhora significativa no Cerrado, que registrou o menor índice de desmatamento da série histórica desde 2018. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram desmatados apenas 107 km², contra 400 km² no período anterior. Em 2018, a taxa havia sido de 953 km².
Para o MMA, a redução observada nos biomas brasileiros é resultado do compromisso do governo federal em zerar o desmatamento até 2030. Desde 2022, a taxa nacional de supressão florestal caiu 50%. “Estes resultados não são obra do acaso. Fazemos política pública com base em evidências sólidas; e ciência e meio ambiente andam de mãos dadas”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que a continuidade da queda é resultado de uma agenda ambiental “prioritária e transversal” no governo. “A redução do desmatamento na Amazônia, pelo terceiro ano consecutivo, e no Cerrado, pelo segundo ciclo seguido, confirma que estamos no caminho certo”, disse.
Os dados do Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite) ainda são preliminares e serão consolidados no primeiro semestre de 2026. O sistema é a principal ferramenta de medição e fiscalização do desmatamento no país, subsidiando ações do Ibama e do ICMBio.
