A Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial (RE), conforme anúncio nesta quarta-feira (11). A empresa, que é uma joint venture entre Shell e Cosan, usará o mecanismo jurídico para renegociar cerca R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais.
Em geral, a medida vem após o BTG Pactual, controlador da Cosan, deixar a mesa de negociação e da Shell garantir um aporte de R$ 3,5 bilhões. Além disso, há ainda outros R$ 500 milhões que serão aplicados pelo sócio-fundador da Cosan, Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta. A Raízen encerrou 2025 com R$ 17,3 bilhões em caixa.
Ou seja, com aportes e caixa sendo insuficientes para cobrir a dívida, a recuperação extrajudicial tornou-se a opção mais viável para a produtora e distribuidora de combustíveis. Mas, o que é e como funciona a a recuperação extrajudicial?
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O que é a recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é uma ferramenta jurídica, que permite a negociação direta de dívidas entre devedores e credores, conforme prevê a Lei 11.101/2005. Além disso, essa modalidade:
- não envolve o Poder Judiciário;
- dá autonomia de escolher com quais credores irá negociar;
- permite que as operações da empresa sigam em andamento;
- suspende a cobrança de dívidas por cerca de 90 dias.
Na prática, a Raízen negocia com cada credor previamente. Contudo, para funcionar, o alongamento de prazo de pagamento deveser acompanhado de reorganização das dívidas, para melhorar o fluxo de caixa.
Ademais, a RE evita que a crise financeira se agrave e garante que a companhia continue ativa.
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Como funcionará a recuperação extrajudicial da Raízen
De acordo com o documento divulgado pela Raízen, o plano de recuperação extrajudicial será estritamente financeiro. Ou seja, o processo não irá afetar clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios. Isso garante também que as operações continuem e que as responsabilidades legais com cada um seja cumprida.
Ademais, o plano de RE envolverá:
- Aporte de capital pelos acionistas – os controladores do grupo devem injetar novos recursos na empresa para reforçar o caixa;
- Conversão de parte das dívidas em ações – alguns credores poderão trocar o valor que têm a receber por participação acionária na companhia;
- Troca de dívidas antigas por novas – parte dos débitos será substituída por novas obrigações financeiras, possivelmente com prazos ou condições diferentes;
- Reorganização societária – a empresa irá reorganizar sua estrutura, separando determinados negócios hoje concentrados no grupo;
- Venda de ativos – a companhia também poderá vender parte de seus ativos para levantar recursos e reduzir o endividamento.
Por fim, segundo o Fato Relevante, 47% dos credores do total da dívida já concordaram com a RE. No entanto, a Raízen precisa do apoio de 50% + 1 para o plano seja aprovado. Entre os principais credores estão: Itaú, Santander, Bradesco e detentores de bonds (títulos de dívida emitidos pela Raízen).
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