O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), contrariando a máxima da política de que “uma eleição nunca é igual a outra”, sonha em formar o mesmo palanque da eleição de 2022, juntando a direita com a extrema direita bolsonarista, que se abriga no PL. O cenário político é outro, o candidato ao governo é outro, respeitando a enorme diferença entre Mauro e Otaviano, e os interesses em jogo são outros.
Aos fatos que contrariam, pelo menos hoje, o desejo de Otaviano de juntar a direita com a extrema direita no seu palanque em 2026.
– O senador Wellington Fagundes, do PL, partido que abriga a extrema direita bolsonarista, mantém a sua pré-candidatura ao governo, apesar da fritura diária promovida pelos “companheiros” prefeitos do PL. Ele não vai desistir da disputa. Aprendeu que ser candidato ao governo é, na pior das hipóteses, um bom negócio para acumular capital eleitoral para uma eleição, por exemplo, ao Senado em 2030. Um jogo, para Wellington, de ganha-ganha. Otaviano conquistará a presença da extrema direita no seu palanque se a operação de destruição da candidatura de Wellington, comandada pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e dos demais prefeitos do PL nas cidades polo, for bem sucedida.
– O deputado Júlio José de Campos (União) garante que seu irmão, o senador Jayme Veríssimo de Campos (União), é pré-candidato ao governo de Mato Grosso. Os irmãos Campos inventaram, ao que parece, uma forma revolucionária de fazer pré-campanha: o silêncio total. Júlio diz que Jayme é candidato ao governo, mas ele não fala que é candidato. É Jayme trabalhando em silêncio obsequioso.
A obra de construção do palanque de direita com a extrema direita de Otaviano depende muito do engenheiro-chefe, o governador Mauro Mendes (União), o verdadeiro líder do grupo atual de situação. Se os senadores Wellington Fagundes e Jayme Campos forem patrolados pelo governador Mauro Mendes, Otaviano Pivetta terá o seu palanque “parecido” com o de 2022. Parecido, e não igual. Porque os veteranos da política Wellington e Jayme não vão engolir calados e obedientes esta humilhante operação descarte. Difícil vê-los neste palanque da direita com a extrema direita pedindo votos para Otaviano.

