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Padre é acusado de racismo após interromper ritual de matriz africana em cemitério de SP

por Aquiles Marchel Argolo
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Uma celebração do Dia de Finados no Cemitério Morada da Grande Planície, em São Paulo, terminou em conflito e acusações de racismo no último dia 2 de novembro. Um padre católico foi denunciado por injúria racial após interromper violentamente um ritual de matriz africana e dirigir insultos racistas ao líder religioso, chamando-o de “macaco nojento”.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado por Leandro Oliveira Rocha, de 44 anos, a cerimônia de matriz africana havia sido legalmente agendada para as 14h, enquanto a missa católica estava programada para as 16h no mesmo espaço. O padre, no entanto, chegou ao local às 15h28 e interrompeu abruptamente o ritual.

“Se eu estivesse fora do meu horário, o que eu não estava, não dava o direito dele simplesmente me xingar, me insultar e agredir a minha mulher”, relatou Leandro. “Ele me chamou de macaco, de nojento, de imundo. Isso é triste e feio […] Nos tempos de hoje, não se admite isso”, complementou.

O caso foi registrado pela Secretaria de Segurança Pública como ultraje a culto, perturbação de cerimônia religiosa e injúria racial – crime inafiançável desde 2023, quando a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo

Intolerância religiosa estrutural

O episódio revela a persistência da intolerância religiosa no Brasil, onde tradições de matriz africana seguem sendo alvo de discriminação e violência. A agressão ocorreu em um cemitério público, espaço que deveria acolher igualmente todas as expressões de fé, mas que se tornou palco de mais um caso de racismo religioso.

As investigações seguem em andamento para apurar todas as circunstâncias do caso e identificar o padre responsável pela interrupção violenta do ritual e pelos insultos racistas. O episódio reforça a urgência do combate à intolerância religiosa, que frequentemente se manifesta como extensão do racismo estrutural brasileiro.

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