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PF encontra conversas de Vorcaro combinando pagamento para empresas de Toffoli

por Augusto de Sousa
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Dias Toffoli e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

A Polícia Federal entregou ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório com mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que citam pagamentos à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli é sócio. O documento integra as investigações sobre o Banco Master, liquidado extrajudicialmente, e levou a PF a sustentar que Toffoli é suspeito para permanecer na relatoria do caso.

Nas conversas apreendidas, Vorcaro e Zettel discutem transferências à Maridt relacionadas à venda do resort Tayayá, empreendimento do qual a empresa detinha 33% de participação. Há menções a pagamentos recentes, realizados em 2025, ano em que o negócio foi concluído. Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, chegou a ser detido pela PF e atuava como uma espécie de gerente do caixa do cunhado.

O relatório, acessado por Mônica Bergamo, da Folha, também aponta a existência de mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Segundo pessoa que teve acesso ao documento, os diálogos entre ambos não tratam de negócios ou recursos financeiros, mas apenas combinam encontros. Há ainda referências a festas e confraternizações com a presença de outras autoridades que não integram o STF.

O conteúdo foi compartilhado por Fachin com outros ministros da Corte. Diante das informações, a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli na condução do inquérito. O presidente do Supremo já notificou o ministro para que apresente esclarecimentos formais sobre os fatos descritos.

Fachada do prédio do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Como já revelado, o próprio Toffoli admitiu ter recebido recursos da Maridt quando a empresa vendeu sua participação no resort Tayayá, em 2021, ao fundo Arleen, ligado à estrutura financeira de Vorcaro. O ministro afirmou a interlocutores que a transferência ocorreu por ele ser sócio da empresa ao lado de familiares e que o negócio foi lícito.

De acordo com a explicação apresentada, Toffoli integra há anos o quadro societário da Maridt, classificada por ele como uma empresa familiar. Seu nome não aparece em registros públicos porque a companhia é uma Sociedade Anônima de livro fechado, modelo em que os acionistas não são divulgados publicamente. Apenas dois irmãos do ministro constam formalmente como administradores.

O ministro também afirmou que todas as transferências foram lícitas, declaradas à Receita Federal e com origem e destino rastreáveis. Acrescentou que o fundo que adquiriu a participação no resort já teria revendido as ações a terceiros, com lucro.

Nos diálogos citados no relatório, Toffoli destaca ainda que todos os pedidos feitos pela Polícia Federal contra Vorcaro foram deferidos por ele, incluindo buscas e apreensões nas apurações sobre supostas irregularidades na condução do Banco Master. O caso segue sob sigilo e deve ter novos desdobramentos após a manifestação formal do ministro.

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