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RJ: Moradores podem ter decapitado vítimas para atrair imprensa, diz secretário de Polícia

por Diario do Centro do Mundo
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O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi. Foto: Reprodução

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, afirmou nesta quinta-feira (30) que moradores dos complexos da Penha e do Alemão cometeram vilipêndio de cadáver ao remover dezenas de corpos de uma área de mata e levá-los para uma praça. As remoções ocorreram após a operação policial realizada no estado, que deixou mais de 100 mortos. O secretário fez a declaração durante entrevista coletiva.

Questionado sobre relatos de corpos decapitados, Curi respondeu: “Quem disse que foi a polícia que cortou a cabeça?”. “Eles [moradores] podem ter feito isso justamente para chamar a atenção da imprensa”, completou.

A coletiva ocorreu ao lado do secretário de Segurança Pública, Victor Santos, e de parlamentares da Comissão de Segurança Pública da Câmara. Uma moradora havia relatado na quarta-feira (29) que seu sobrinho, de 19 anos, foi encontrado sem cabeça após a ação policial.

A Polícia Civil também investiga suspeita de fraude processual pela retirada dos corpos da mata. Segundo Curi, moradores utilizaram carros roubados para levar os cadáveres até a praça São Lucas. Ele afirmou que o procedimento teria provocado novas lesões nos corpos e que os danos serão analisados pela perícia da corporação.

Corpos enfileirados em praça na Penha, zona norte do Rio – Eduardo Anizelli/Folhapress

O secretário declarou que existem registros em vídeo indicando que parte dos mortos estava com roupas camufladas e equipamentos de guerra durante a operação. Segundo ele, os cadáveres teriam sido despidos ao serem removidos pelos moradores da região. A motivação da retirada ainda é apurada pelos investigadores.

Victor Santos afirmou que a perícia vai verificar se as lesões foram causadas quando as vítimas ainda estavam vivas ou após a morte. O Ministério Público do Rio acompanha o trabalho dos peritos. O secretário disse que os resultados serão usados pela Justiça para avaliação das responsabilidades relacionadas à operação.

Curi informou que cerca de 50 corpos foram identificados até agora, e 15 já foram liberados para sepultamento. A divulgação dos nomes ocorrerá em momento considerado oportuno pela Polícia Civil. As circunstâncias da remoção dos cadáveres seguem em investigação pelas autoridades estaduais.

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